26/09/2005
 
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Ainda vou trabalhar lá

Pesquisa revela quais as empresas
mais desejadas pelo universitários
recém-ingressos no mercado de
trabalho e o que esses trainees e estagiários querem de seus patrões


Por Laila Mahmoud

Pode parecer inacreditável, mas bom salário e bons benefícios já não são o primeiro lugar no ranking dos atrativos para que um jovem universitário deseje começar sua carreira profissional lá. Pelo menos é o que mostra o levantamento feito pela Companhia de Talentos (veja tabela ao lado, no link Os motivos da escolha), consultoria especializada em recrutamento e seleção, em parceria com o laboratório de negócios LAB SSJ, empresa voltada ao treinamento e desenvolvimento de jovens profissionais, no primeiro semestre desse ano.

Realizada desde 1998, a pesquisa identificou que o interesse por empresas nacionais praticamente dobrou. Isso porque, esse ano, quatro empresas nacionais figuraram no ranking das dez mais desejadas. E o primeiro lugar é delas. A Petrobrás é a empresa em que 15% dos jovens universitários entrevistados gostariam de trabalhar (acesse o link acima, As empresas dos sonhos, e conheça todas). Em seguida vem a Natura, com 12,5%, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) com 8,27% e a Rede Globo com 7,12%. No ano passado, apenas duas empresas nacionais foram escolhidas: a Natura (4º lugar) e a Petrobrás (8º). “Isso mostra o fortalecimento da imagem dela no mercado, como ‘orgulho nacional’”, explica Sofia Esteves do Amaral, sócia-diretora da Companhia de Talentos.

Para Alexandre Santilli, sócio-diretor do Lab SSJ, a Petrobrás é uma empresa nacional que tinha uma certa cara de estatal, mas que tem passado uma imagem de eficiência e liderança. “Só os profissionais com mais idade ainda tem a imagem anterior”.

Segundo Sofia, esse primeiro lugar demonstra que os jovens buscam mais estabilidade em suas carreiras, o que já não é garantido pelas multinacionais. “Empresas pontocom e da área financeira já tiveram o seu boom, mas esse ano o estudo apresentou uma grande mudança com a escolha da Petrobras. O que revela que os jovens estão valorizando, entre outros pontos, a segurança”, explica.

Esse perfil do jovem identificado na pesquisa, contudo, não é único. Sofia acredita que exista ainda um segundo perfil de estudante, percebido por meio de outros resultados do mesmo levantamento. E ele é diferente desse primeiro que busca uma carreira fixa, dá importância à proximidade do emprego de sua casa e valoriza a estabilidade na profissão. Ao contrário, ele busca contantes desafios, se sentir instigado e vislumbrar oportunidades em outros postos, inclusive no exterior. E são esses os mais aprovados em processos de seleção. Às vezes em mais de um. “Os bons acabam tendo várias opções e podem escolher”, considera.

A imagem também acaba sendo muito importante para a avaliação do jovem. A marca Microsoft, associada ao nome de Bill Gates, por exemplo, mostrou-se poderosa “ainda que com apenas 400 funcionários no País”, afirma Sofia. E a Unilever conta com um bom lugar no ranking sobretudo por seu famoso e bem-sucedido programa de trainee, do qual participou até o atual presidente da empresa, segundo a consultora.

Outra surpresa revelada pela pesquisa é o desaparecimento dos bancos do ranking. “Os bancos pagavam muito, mas exigiam o fígado dos funcionários”, explica, em tom bem humorado, Sofia. Apenas o Citibank apareceu no ranking este ano. Em todos os anteriores ele era acompanhado por pelo menos mais um, dentre eles o Bank Boston. Mas o jovem não quer trabalhar demais, então? Não exatamente. “Há cerca de cinco anos, quem não tinha vocação ia ganhar dinheiro e depois se realizar profissionalmente. Hoje, ele quer uma realização mais rápida, além de qualidade de vida”, explica Sofia.

A pesquisa foi realizada com 6756 estudantes de 22 a 26 anos, dos cursos de Administração, Comunicação, Engenharia, Tecnologia da Informação (TI), Ciências Econômicas e Contábeis e Direito da Fundação Getúlio Vargas, da Pontifícia Universidade Católica, do Mackenzie e da Universidade de São Paulo (USP). Mais de 80% faz ou já fez estágio.