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Ainda vou trabalhar lá
Pesquisa revela quais as empresas
mais desejadas pelo universitários
recém-ingressos no mercado de
trabalho e o que esses trainees e estagiários querem de seus
patrões

Por Laila
Mahmoud
Pode parecer inacreditável, mas bom salário e bons
benefícios já não são o primeiro lugar
no ranking dos atrativos para que um jovem universitário
deseje começar sua carreira profissional lá. Pelo
menos é o que mostra o levantamento feito pela Companhia
de Talentos (veja tabela ao lado, no link Os motivos da escolha),
consultoria especializada em recrutamento e seleção,
em parceria com o laboratório de negócios LAB SSJ,
empresa voltada ao treinamento e desenvolvimento de jovens profissionais,
no primeiro semestre desse ano.
Realizada desde 1998, a pesquisa identificou que o interesse por
empresas nacionais praticamente dobrou. Isso porque, esse ano, quatro
empresas nacionais figuraram no ranking das dez mais desejadas.
E o primeiro lugar é delas. A Petrobrás é a
empresa em que 15% dos jovens universitários entrevistados
gostariam de trabalhar (acesse o link acima, As empresas dos
sonhos, e conheça todas). Em seguida vem a Natura, com
12,5%, a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) com 8,27% e a Rede Globo
com 7,12%. No ano passado, apenas duas empresas nacionais foram
escolhidas: a Natura (4º lugar) e a Petrobrás (8º).
“Isso mostra o fortalecimento da imagem dela no mercado, como
‘orgulho nacional’”, explica Sofia Esteves do
Amaral, sócia-diretora da Companhia de Talentos.
Para Alexandre Santilli, sócio-diretor do Lab SSJ, a Petrobrás
é uma empresa nacional que tinha uma certa cara de estatal,
mas que tem passado uma imagem de eficiência e liderança.
“Só os profissionais com mais idade ainda tem a imagem
anterior”.
Segundo Sofia, esse primeiro lugar demonstra que os jovens buscam
mais estabilidade em suas carreiras, o que já não
é garantido pelas multinacionais. “Empresas pontocom
e da área financeira já tiveram o seu boom, mas esse
ano o estudo apresentou uma grande mudança com a escolha
da Petrobras. O que revela que os jovens estão valorizando,
entre outros pontos, a segurança”, explica.
Esse perfil do jovem identificado na pesquisa, contudo, não
é único. Sofia acredita que exista ainda um segundo
perfil de estudante, percebido por meio de outros resultados do
mesmo levantamento. E ele é diferente desse primeiro que
busca uma carreira fixa, dá importância à proximidade
do emprego de sua casa e valoriza a estabilidade na profissão.
Ao contrário, ele busca contantes desafios, se sentir instigado
e vislumbrar oportunidades em outros postos, inclusive no exterior.
E são esses os mais aprovados em processos de seleção.
Às vezes em mais de um. “Os bons acabam tendo várias
opções e podem escolher”, considera.
A imagem também acaba sendo muito importante para a avaliação
do jovem. A marca Microsoft, associada ao nome de Bill Gates, por
exemplo, mostrou-se poderosa “ainda que com apenas 400 funcionários
no País”, afirma Sofia. E a Unilever conta com um bom
lugar no ranking sobretudo por seu famoso e bem-sucedido programa
de trainee, do qual participou até o atual presidente da
empresa, segundo a consultora.
Outra surpresa revelada pela pesquisa é o desaparecimento
dos bancos do ranking. “Os bancos pagavam muito, mas exigiam
o fígado dos funcionários”, explica, em tom
bem humorado, Sofia. Apenas o Citibank apareceu no ranking este
ano. Em todos os anteriores ele era acompanhado por pelo menos mais
um, dentre eles o Bank Boston. Mas o jovem não quer trabalhar
demais, então? Não exatamente. “Há cerca
de cinco anos, quem não tinha vocação ia ganhar
dinheiro e depois se realizar profissionalmente. Hoje, ele quer
uma realização mais rápida, além de
qualidade de vida”, explica Sofia.
A pesquisa foi realizada com 6756 estudantes de 22 a 26 anos,
dos cursos de Administração, Comunicação,
Engenharia, Tecnologia da Informação (TI), Ciências
Econômicas e Contábeis e Direito da Fundação
Getúlio Vargas, da Pontifícia Universidade Católica,
do Mackenzie e da Universidade de São Paulo (USP). Mais de
80% faz ou já fez estágio. 
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