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 Telecomunicações


Crônicas de confusão ao redor do mundo
A transição tende a ser complicada em todo o mundo, mas já tirou os brasileiros do sério

Há cerca de um ano, Betsy Burton, diretora de pesquisas do Gartner Group, fez um diagnóstico preciso sobre as telecomunicações no Brasil no período pós privatização. "Não será tarefa fácil. Nos Estados Unidos, o processo da desregulamentação levou dez anos, com progressos muito lentos", comparou Burton. "Foi doloroso e isso pode se repetir por aqui."

Repetiu-se. A deterioração da qualidade dos serviços existentes na telefonia fixa, o descumprimento dos prazos para a instalação de novas linhas e a dificuldade para concluir chamadas de longa distância resultaram em processos e multas milionárias para as operadoras. Mas de pouco valeram.

Os R$ 22,05 bilhões arrecadados, em julho do ano passado, com a venda das 12 empresas do sistema Telebrás,- celulares da banda A, operadoras de longa distância e telefonia fixa - não melhoraram os serviços, principalmente da telefonia fixa. A expectativa é que a perfomance dessas companhias melhore, a partir do fim do ano, com a plena concorrência de todas as empresas-espelho.

Então, Embratel, Telesp e Tele Norte terão de competir com Bonari, Megatel e Canbrá e Global Village, respectivamente. Desde o início da privatização no setor, em junho de 1996, o governo arrecadou R$ 30,55 bilhões. O que não se sabe, por enquanto, é o prazo que as tarifas levarão para começarem a ser reduzidas.

"Até 2001, as empresas de telefonia fixa vão trabalhar muito para atender à demanda", diz Virgílio Freire, presidente da Megatel, a espelho da Telesp. "A queda de preços virá na etapa seguinte, mas não sei quando isso acontecerá."

As linhas fixas devem saltar de
26 milhões este ano, para 40 milhões em 2003. Nesse período, os celulares devem
pular de 12 milhões para 23 milhões

Por ora, só estão definidas as metas estabelecidas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), órgão que regulamenta o setor. As concessionárias de telefonia fixa se comprometeram a elevar de 19 milhões para 26 milhões as linhas em funcionamento até o final deste ano (15,8 linhas/100 habitantes). Em 2003, o número deve subir para 40 milhões (23,2/100 habitantes). Esse índice é similar aos alcançados pela Bielo-Rússia, Polônia e Nova Caledônia no final do ano passado. A telefonia celular deve fechar 1999 com 12 milhões de linhas operando (7,28/100 habitantes) e elevá-las 23 milhões em 2003 (13,4/100 habitantes).

FREIRE, da Megatel:

'Até 2001, vamos trabalhar muito para atender à demanda. A queda de preços só virá numa etapa seguinte'

Até lá, as operadoras em conjunto deverão investir R$ 90,7 bilhões. Só este ano, estão sendo desembolsados R$ 10,7 bilhões. Entre 2000 e 2003 o valor previsto é de R$ 53,2 bilhões. Esses recursos movimentarão fornecedores das áreas de infra-estrutura, equipamentos e serviços - prestados pela próprias operadoras ou por outras companhias, que viabilizaram suas atividades a partir da modernização do setor.

Lucent, Motorola e Nortel, por exemplo, abriram fábricas no Brasil, ano passado, para fabricar estações de radiobase - antenas fundamentais para o funcionamento dos celulares. Além de otimizar o uso da Internet, todo esse avanço permitirá o aperfeiçoamento da chamada tecnologia convergente. Dela fazem parte os call centers, usados, por exemplo, no atendimento a clientes de cartão de crédito e na transmissão conjunta de dados, som e imagem, comum nas conference call, realizadas freqüentemente entre companhias estrangeiras e suas matrizes.

 

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