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A cotação do aço no mercado internacional
ronda os US$ 220. A recuperação é razoável
frente aos US$ 150 do ano passado, mas ainda está muito
distante dos US$ 280 negociados em 1997. Sob a acusação
de dumping, o governo americano limitou em 295 mil toneladas as
exportações brasileiras, contra as 400 mil do ano
passado, atingindo o terceiro maior exportador mundial. Apesar
de tudo isso, em um único dia, a siderurgia brasileira
saltou 20 pontos no ranking mundial do setor, segundo o Instituto
Internacional do Ferro e Aço. Motivo: a aquisição
do controle da AmeriSteel, a segunda maior siderúrgica
de aços longos dos Estados Unidos, pelo Grupo Gerdau em
agosto.
Os
valores envolvidos na transação com a japonesa e
ex-proprietária Kyoei Steel Ltd. só serão
conhecidos neste final de setembro. Sabido é que o grupo
gaúcho consolidou-se aqui como o maior conglomerado siderúrgico
do país - à frente de Usiminas e da Companhia Siderúrgica
Nacional (CSN). Com a AmeriSteel, a produção de
aço bruto do Gerdau aumentou de 5,4 milhões de toneladas
para 6,5 milhões de toneladas. Junto com os 2,5 milhões
de toneladas da coligada Açominas - onde tem participação
de 18% -- e de suas outras seis usinas no exterior - duas argentinas,
duas canadenses, uma chilena e uma uruguaia - a produção
total do Gerdau alcança 9 milhões de toneladas ao
ano.
| A
Vale do Rio Doce só não abre mão da Companhia
Siderúrgica de Tubarão; da americana CSI e da
argentina Siderar |
Apesar
do compromisso financeiro com os japoneses e do aporte de US$
110 milhões, que deve fazer na Açominas, o grupo
gaúcho não perdeu o apetite pela CSN. "Não
estamos comprando a CSN neste momento, mas o quadro pode mudar
de figura com a reestruturação do setor", afirma
Frederico Gerdau Johannpeter, vice-presidente e diretor de relações
com o mercado.
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Johannpeter,
da Gerdau:
'Não estamos
comprando a CSN neste momento,
mas o quadro
pode mudar de figura com a reestruturação
do setor' |
Entusiasta
das reestruturações que garantam competitividade
a importantes setores da economia, também neste caso, o
BNDES dispõe-se a financiar negócios para acabar
com as participações cruzadas, que têm na
Previ - o fundo de pensão dos funcionários do Banco
do Brasil - e na Vale do Rio Doce seus principais protagonistas.
Ambos têm participações em todas as siderúrgicas.
Isso dificulta a execução de planos estratégicos
e uma real concorrência entre as empresas do setor.
No
mercado, aposta-se que o Gerdau comprará, ainda este semestre,
a participação de 17,9% do Grupo Vicunha, que, ao
lado do Bradesco e da Previ, é o principal acionista da
CSN. Antes, porém, o Gerdau precisará enfrentar
a concorrência do grupo alemão Thyssen/Krupp, outro
grande interessado na usina. Jório Dauster, presidente
da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), afirma que a companhia não
tem interesse estratégico na CSN, onde tem 10,33% de participação,
na Açominas (3,16%) ou Usiminas (11,46%).
Mas
avisa: a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST)
é a terceira maior cliente da Vale; a usina California
Steel Industry (CSI), que marca a presença da companhia
nos Estados Unidos; e a usina argentina Siderar é alvo
de interesse estratégico da CVRD.
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