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 Seguradoras


Paciência e eficiência à espreita do mercado
As estrangeiras avançam enquanto o mercado espera a desregulamentação do setor

Nível de atividade econômica, de emprego e taxas de juros têm reflexo imediato sobre o setor de seguros. Análise feita pela consultoria Arthur Andersen mostra que, no ano passado, a receita de prêmios evoluiu 5,44%, com R$ 19,4 bilhões, enquanto sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) manteve-se inalterada em 2,2%. A expansão foi apenas nominal. Mas dias melhores estão a caminho.

O presidente da AGF Brasil Seguros, Jean-Marie Monteil, estima que, até dezembro, o volume de negócios corresponderá a 2,4% do PIB por conta da relativa estabilidade econômica, da inflação anual, que deve ficar abaixo de dois dígitos e do encaminhamento das reformas no Congresso Nacional. "Em 2000, o crescimento do setor poderá atingir cerca de 2,5% da receita interna do Brasil", calcula Monteil.

A estabilidade do pós-Real atraiu importantes grupos estrangeiros do mercado segurador, que se tornou mais competitivo, passou a oferecer novos e mais sofisticados serviços e a custos menores. Em 1997, as seguradoras estrangeiras embolsavam 6,41% da receita de prêmios. No ano passado, essa fatia cresceu para 19,7%, tirando mercado das empresas ligadas a conglomerados, cuja participação caiu de 58% para 54,95%, e das independentes, cujo market share reduziu-se de 23,73% para 14,26%.

Apesar das inovações introduzidas, os negócios desse mercado continuam concentrados nos ramos tradicionais: automóveis, vida e saúde. Hoje, eles respondem por 74,06% da carteira total do setor, ante 71,18% em 1997 e 67,29% no início do Real.

A participação das seguradoras
estrangeiras saltou de 6,41% em 1997 para 19,7% no ano
passado, avançando sobre as
independentes

De um modo geral, a performance das seguradoras tem melhorado graças ao gerenciamento mais eficiente das empresas e às elevadas taxas de juros, de acordo com o estudo da Arthur Andersen. No ano passado, o resultado financeiro do setor deu um pulo de 46%, saltando de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,6 bilhão. Enquanto o lucro líquido subiu para 7,17% contra os 4,36% obtidos em 1997.

Foto: Gustavo Lourenção MONTEIL, da AGF Brasil Seguros:

'Se puder trabalhar sem restrições, o mercado de seguros poderá representar 4% do PIB em 2003'

Hoje, o desafio de curto prazo para as seguradoras é reduzir a taxa de sinistralidade. Em 1998, ela subiu para 67,71%, ante os 66,98% do ano anterior. Ou seja, do total arrecadado com prêmios, 67,71% foram devolvidos para a cobertura de indenizações. "A racionalização dos processos administrativos e a adoção de critérios que diminuam o risco e o preço das apólices de seguros poderão diminuir essa taxa e, posteriormente, esse ganho poderá ser repassado ao segurado" sugere Paulo Roberto Kenedi, consultor da Arthur Andersen.

No médio prazo, o mercado tende a ser redesenhado com concretização de antigas expectativas: a quebra do monopólio de resseguro, a partir da privatização do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB); a privatização do seguro contra acidentes de trabalho; a abertura irrestrita do mercado segurador brasileiro à participação estrangeira; e a reforma da Previdência Social.

"Se o encaminhamento destas questões for priorizado pelo governo federal, poderemos chegar a 2003 com volume equivalente a 4,0% do PIB", diz Monteil.

 

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