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CAPA DA SEMANA

 

 

 

 Papel e Celulose


Um abecedário para render muitos lucros
Com a benção do BNDES, Aracruz, Cenibra e Bahia Sul devem somar forças na ABC

A Companhia Vale do Rio Doce pode vir a ser a primeira no setor a ser contemplada com financiamentos do BNDES para fundir suas empresas de celulose e papel - Cenibra e Bahia Sul. O Banco tem separados três bilhões de reais para fomentar fusões e incorporações também nos setores petroquímico e siderúrgico, mas é provável que a Vale inaugure o processo.

Dona de 50% das ações ordinárias da Bahia Sul e de 51% do capital votante da Cenibra, a companhia tem interesse de comprar a parte dos sócios japoneses na Cenibra. Esse é o primeiro passo para criar o projeto "ABC", que também incluiria a Aracruz, maior fabricante mundial de fibra curta de celulose. O BNDES é simpatizante da idéia. Atualmente, as três fabricam 71% da produção nacional de 3,14 milhões de toneladas de celulose de mercado - aquela vendida aos mercados interno e externo. Esse é o volume adequado para competir com os grandes produtores mundiais.

Os números do primeiro semestre deste ano também tornam as grandes companhias do setor atrativas para o capital internacional. Nesse período, a produção de celulose e papel cresceu 5,2% e 3,8%, respectivamente, em comparação com o mesmo intervalo de 1998. Mais: estudo feito pela Merrill Lynch aponta que o lucro operacional, em dólares, das principais fabricantes nacionais cresceu 228% no segundo trimestre deste ano, em comparação com maio-junho de 1998. O lucro líquido aumentou 89%.

O país precisa investir US$ 8,8 bilhões até 2005 para manter, respectivamente, a 7ª e a 11ª posição nos rankings mundiais de celulose e papel, segundo estudo

Tal performance fez os papéis dessas companhias explodirem na bolsa. Os preços internacionais estão em alta, os estoques internacionais em baixa, o real desvalorizado e as empresas já cortaram os custos necessários, definiram o foco do negócio e melhoraram seus processos de produção e está em curso a reestruturação do setor. Segundo analistas, os próximos dois anos prometem compensar as adversidades dos três anteriores. Em fins de agosto, a tonelada de celulose de eucalipto estava cotada em US$ 530 e deve chegar em US$ 560 em outubro.

Foto: Nilton Queiroz TABACOF,
da Bracelpa:


'O Brasil é competitivo frente aos americanos e europeus.
Só precisa
de crédito
igual ao dos concorrentes '

Gigantes como a Stora-Enzo, fusão da sueca Stora e da finlandesa Enzo, já chegaram. Produtora anual de 12 milhões de tonelada de papel e cartão - o dobro do que faz o Brasil - a companhia soma forças com o Grupo Odebrecht na Veracel, no Sul da Bahia. Com investimentos de US$ 1,5 bilhão, os parceiros vão produzir 750 mil toneladas de celulose por ano a partir de 2002.

Mas é preciso mais. Estudo do BNDES mostra que o Brasil tem de investir US$ 8,8 bilhões até 2005 para manter, respectivamente, a 7- e 11- posição nos rankings mundiais de celulose e papel. O setor, que faturou 6,5 bilhões no ano passado, planejava aplicar US$ 10 bilhões no período 1997-2002. Mas suspendeu o projeto em outubro de 1997, por conta das incertezas na economia mundial.

"O Brasil é competitivo frente aos americanos e europeus", diz Boris Tabacof, presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa). "Só precisamos de crédito igual ao de nossos concorrentes." Falta ao país agregar agregar mais valor aos produtos, como o papel usado em revistas e o papel imprensa. As importações globais de papel, no ano passado, somaram 904 mil toneladas. Com o aumento da produtividade brasileira, esse volume deve cair, mas ainda deve ser de 750 mil toneladas em 2002.

 

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