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A crise asiática reduziu a demanda e diminuiu os preços
internacionais do ferro em cerca de 11%., prejudicando a mineração
em todo o mundo. Mas as maiores mineradoras brasileiras são
quase uma exceção. Este ano, espera-se, no mínimo,
a repetição dos resultados obtidos no ano passado.
A Companhia Vale do Rio Doce, por exemplo, está mantendo
sua participação de 19% no mercado internacional.
"Compensamos a redução de pedidos do Japão,
aumentando o volume de vendas para a Coréia e China",
diz o embaixador Jório Dauster, presidente da companhia.
A desvalorização do real também ajudou a
empresa que, no ano passado, teve lucro recorde entre as instituições
não financeiras: R$ 1,029 bilhão - 37% acima do
obtido no ano anterior.
A Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), segunda
no ranking nacional, calcula em 12% a redução do
faturamento deste ano por conta da queda dos preços internacionais
sobre os US$ 432 milhões registrados em 1998. Mas o programa
de investimentos até 2004 foi mantido, segundo seu presidente,
Hugo Serrado Stoffel.
No
tabuleiro internacional, os grandes players têm jogado pesado
e seus lances podem ter reflexos por aqui. A mega fusão
entre a australiana Broken Hill Proprietary (BHP) e a anglo-australiana
Rio Tinto não atemoriza. "Clientes como o Japão
podem buscar novos fornecedores para reduzir a dependência
dessa nova empresa e nós poderemos ganhar com isto",
afirma Stoffel.
| O
Brasil fornece 90% do nióbio usado em todo o mundo e tem a
melhor tecnologia de extração |
Os
movimentos têm sido rápidos. Em meados de agosto,
a canadense Alcan fundiu-se com a francesa Pechiney e a suíça
Algroup, destronando a líder americana Alcoa. Uma semana
depois, a Alcoa assumiu o controle da Reynolds Metals, também
americana, retomando o título de maior produtora mundial
de alumínio. Agora, Alcan e Alcoa concentram 28% da fabricação
mundial de alumínio.
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DAUSTER,
da Vale:
'Compensamos a redução de
pedidos do Japão, aumentando as vendas na Coréia e na China
'
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Especialistas
internacionais afirmam que esse é apenas o início
de um realinhamento radical do setor, provocado por cinco anos
de baixa nos preços internacionais, que chegaram ao fundo
do poço em março deste ano. Quem pode compra para
cortar custos e aumentar lucros.
A filial brasileira da Alcan não prevê mudanças.
A incerteza está no destino da Latasa, único negócio
da Reynolds no Brasil, agora nas mãos da Alcoa, que faturou
US$ 1,1bilhão no ano passado no país com duas fundições
e uma fábrica de embalagens de alumínio. A Reynolds
controla 34,8% do capital total da empresa. O restante das ações
pertencem aos bancos Bradesco (39%) e J.P.Morgan (13%) e ao mercado
(12%). Em 1998, a Reynalds pretendia vender sua parte na Latasa,
mas desistiu.
No
ano passado, a produção total da indústria
extrativa mineral cresceu 10,73%. Petróleo, minério
de ferro e gás natural foram, nesta ordem, os maiores responsáveis
pela expansão. Entre os demais minérios, os especialistas
destacam a importância do nióbio, um metal usado
na composição de aços especiais de alta resistência.
O Brasil fornece 90% das necessidades mundiais de nióbio
a partir das reservas de Minas e Goiás, com tecnologia
desenvolvida pela Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração
(CBMM).
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