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Terminado este segundo semestre, os fabricantes de máquinas
e equipamentos esperam, finalmente, começar a reverter
uma sucessão de anos difíceis e crescer ao lado
de setores privatizados - entre eles, Energia, Petróleo
e Telecomunicações. Não era sem tempo. Entre
o início dos anos 80 e o final de 1998, o investimento
per capita em máquinas e equipamentos desabou de US$ 225
para US$ 129. Ainda este ano, tem-se como certo que esses números
descerão mais alguns degraus, diminuindo a relação
para US$ 119.
Turbulências na economia interna e externa - atingindo importantes
parceiros do setor na América Latina, principalmente a
Argentina, grandes importadores do Brasil, que , por também
estarem enfrentando dificuldades, não ajudaram a alavancar
as exportações do setor - e a existência e
o acréscimo de impostos que oneraram as compras para os
clientes brasileiros foram as principais causas do encolhimento
dos negócios.
A volta da Contribuição Provisória sobre
Movimentação Financeira, com alíquota de
0,38%, o aumento da Cofins para 3% e a cobrança escalonada
do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que deve chegar
a 5% agora em dezembro, tiveram impacto negativo sobre a indústria
de bens de capital, que, apenas no primeiro semestre deste ano,
dispensou 10,94% de seus empregados.
| Nas
áreas licitadas para explorar petróleo, este
ano, a indústria de máquinas e equipamentos
conseguiu assegurar pelo menos 30% das vendas: expansão
e empregos |
Entre
as adversidades, Delbem Leite, presidente da Associação
Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos
(Abimaq), também inclui a taxa de juros básica cobrada
pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social
(BNDES), que, de 14,05% ao ano, chega às mãos do
candidato a empréstimo por 20% ao ano. "Nenhum país
taxa bens de capital, e o Brasil precisa desonerar o setor",
diz Leite. "Precisamos de financiamentos adequados, prazos
compatíveis com o tipo de investimento e taxa de juros
mais realistas."
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LEITE,
da Abimaq:
'Precisamos de financiamentos
adequados, prazos compatíveis com os investimentos
e taxas de juros mais realistas' |
A
Abimaq e setores do governo têm negociado o abrandamento
desses mecanismos - condição fundamental para que
a indústria torne-se fornecedora da expansão prevista
nas áreas de Energia, Petróleo e Telecomunicações
. Do contrário, e embora tenham sido criadas cotas mínimas
para que a indústria nacional abasteça esses grandes
clientes, o setor não terá competitividade para
atender à demanda.
Entre as áreas licitadas para a exploração
de petróleo este ano, por exemplo, a indústria de
máquinas e equipamentos conseguiu assegurar sua participação
em pelo menos 30% das vendas que serão realizadas. Isso
significa encomendas, empregos e expansão . Mas, sem condições
mínimas para competir, diz Leite, o fornecimento para a
indústria petroleira não passará de cerca
de US$ 8 bilhões, valor histórico dos últimos
quatro anos, que não permitirá, segundo ele, contratação
alguma.
Apesar de tantas pendências, o presidente da Abimaq acredita
que a curva das exportações permita antever dias
melhores. "No mínimo, este ano teremos resultados
iguais ou pouco superiores aos de 1998", diz Leite. Segundo
seus cálculos, a produção poderá acrescer
10% em 2000, provocando a contratação de 12 mil
trabalhadores, desde que a reforma tributária desonere
o setor e a taxa de juros praticada pelo BNDES seja competitiva
com a dos concorrentes estrangeiros.
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