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A indústria de software está entre as que mais crescerão
na próxima década. Nos Estados Unidos, o setor deve
ultrapassar a indústria automobilística já
em 2000. Às custas de muitos benefícios, a Índia
tornou-se importante exportador. Mas o Brasil, dizem especialistas,
pode perder a oportunidade de se tornar um importante pólo
de desenvolvimento de software se não trilhar caminho semelhante.
Daniel Boacnin, presidente da Associação Brasileira
das Empresas de Software (ABES), defende a concessão de
incentivos à produção e uso de software -
como já ocorre com o hardware. As facilidades, afirma Boacnin,
podem impulsionar centenas de micro e pequenas empresas. "Sem
financiamentos ou capital de risco para crescer elas estão
sobrevivendo a duras penas", diz ele. O universo é
grande: das 420 empresas filiadas à ABES, 77% faturam até
1 milhão de dólares por ano e têm em média
dez funcionários. Mas, devagar, o cenário começa
a mudar em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa
Catarina.
Nesses estados, a Associação Brasileira das Empresas
de Software e Serviços em Informática (Assespro)
e a Softex - uma fundação que se propõe a
incentivar a exportação de software - estão
assessorando corretoras de valores para identificar micro, pequenas
e grandes empresas que desenvolvam projetos inovadores com boas
perspectivas de mercado aqui e no exterior. E que, pelo potencial,
mereçam investimentos.
| As
negociações do capital local e internacional são mais intensas
com empresas do Rio, São Paulo, Paraná e Santa Catarina |
"Este
e o próximo ano serão marcados pela integração
entre a tecnologia e o capital", afirma Fernando Nery, presidente
da Assespro e da Módulo, empresa que faturou 9,3 milhões
ano passado. "Investidores brasileiros e estrangeiros interessados
no potencial de nossa indústria têm nos procurado
freqüentemente." O motivo é a criatividade do
software brasileiro e o que ele pode render. A eleição
eletrônica, o pagamento do Imposto de Renda via Internet
e o Internet Banking são exemplos desse diferencial.
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NERY,
da Assespro:
'Este e o próximo
ano vão marcar a integração da
tecnologia com
o capital'
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A
tendência repete, aqui, um movimento que já fez gigantes
nos Estados Unidos. Lá, o capital patrocinou a expansão
de empresas de fundo de quintal, como a própria Microsoft.
Aqui, bons software, desenvolvidos principalmente nas áreas
de gestão empresarial, comércio eletrônico
e aplicações na Internet, atraíram os investidores
e negócios já foram fechados.
A catarinense Logocenter, fabricante de gestão empresarial
e dona de um faturamento de 15 milhões de dólares,
recebeu aporte de capital de um grupo de sete investidores, entre
eles, Previ, BNDESpar e Bovespa. A Datasul, também catarinense
(gestão empresarial e faturamento de 55 milhões
de dólares), associou-se à norte-americana WestSphere
Equity Investors.
Outro
fundo americano, o Advent International, comprou 25% do capital
da paulista Microsiga (gestão empresarial e faturamento
de 58 milhões de dólares). Em julho, seis bancos
e uma empresa de telecomunicações, dos quais cinco
são estrangeiros, procuraram a Módulo, especializada
em segurança. Devagar e começando pelas maiores,
a indústria brasileira de software já entrou na
rota dos investimentos.
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