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 Hoteleiro


Diversificar para multiplicar os lucros
A globalização bate à porta dos hotéis, acirra a concorrência e já acena com fusões

Investimentos, concorrência e fusões devem marcar a indústria hoteleira nos próximos anos, apesar das dificuldades do curto prazo. A taxa média de ocupação, em 1999, deve ficar em torno de 45%. Ano passado, o índice foi de 52% , também distante dos 60% registrados no início do Real, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH).

Além da queda no movimento, o setor sentiu o peso da concorrência, que baixou os preços e reduziu o valor das diárias em cerca de 11%. Júlio Serson, presidente da ABIH, prevê queda entre 10% e 12% no faturamento, que chegou a 1 bilhão de dólares no ano passado.

As redes estrangeiras, que começaram a chegar ao Brasil no começo da década, acreditam na recuperação e se preparam para novas e velhas oportunidades. Sozinha, a rede espanhola Sol Meliá está investindo US$ 850 milhões para erguer 36 hotéis com 6.500 quartos até 2002.

O potencial do segmento turismo ainda é imenso. No ano passado, o total de visitantes representou apenas 1% do movimento mundial de viagens. O segmento corporativo começa a definir melhor seu perfil, atraindo mais clientes. E a expansão de 5% ao ano da população de terceira idade, (8,7% dos brasileiros) já está inspirando a criação de redes especializadas.

A taxa de ocupação de 45% é a menor desde o Real e o faturamento deve diminuir 12% este ano. Ainda assim, o setor demonstra vitalidade e vê boas perspectivas

O maior alvo da concorrência, porém, está nos chamados hotéis econômicos. Com diária inferior a 100 dólares, compactos e confortáveis, eles estão sendo implantados por redes que já têm seus cinco estrelas no Brasil. O grupo francês Accor - dono das bandeiras Sofitel, Novotel, Mercure e Pathernon - é o pioneiro na área. Este ano, lançou o Ibis, na capital paulista e, até 2004, planeja abrir outros 50 no país. O espanhol Sol Meliá estreou com o Sol Inn em Ribeirão Preto e, até dezembro, a Choice Atlantic Hotels inaugura duas unidades do Sleep Inn no interior paulista.
Foto: Rubens Chaves SERSON,
da ABIH:


'Somar forças é a única saída das redes nacionais, nos próximos dois anos, para enfrentar as estrangeiras '

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu, em julho, uma linha de crédito de R$ 500 milhões, para a construção de hotéis econômicos. Agora, redes estrangeiras também podem se candidatar aos empréstimos do banco oficial. Antes disso, no entanto, elas desenvolveram suas próprias fontes de financiamento através de parcerias com bancos, fundos de pensão e incorporadores imobiliários. Os sócios se encarregam de captar dinheiro no mercado para a construção. A rede hoteleira entra com seu know-how e a cessão da marca.

O Sol Meliá associou-se à construtora Gafisa no Rio de Janeiro e às incorporadoras MJK e Birmann em São Paulo para construir três Meliá Confort - outra bandeira do grupo. O americano Marriot - Renassence é um dos parceiros da Previ - fundo de Previdência do Banco do Brasil -, que está investindo US$ 250 milhões em um mega resort em Sauípe (BA). Ali serão reunidos cinco hotéis de luxo e seis pousadas.

"Nos próximos dois anos, a fusão entre grandes redes nacionais é inevitável para enfrentar a concorrência dos grupos estrangeiros", diz Serson. Segundo ele, as redes nacionais não serão beneficiadas pelo crédito do BNDES porque estão descapitalizadas, as garantias exigidas pelo banco são muitas e os prazos de pagamento curtos. "A globalização chegou à hotelaria."

 

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