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CAPA DA SEMANA

 

 

 

 Higiene, Limpeza e Cosméticos


Preços sob dieta, mas com o balanço no azul
Para enfrentar o dinheiro curto, o setor quer escala e investe em novos produtos

Vender mais por menos. Essa tem sido a estratégia da indústria de higiene, limpeza e cosméticos para manter os clientes e afastar os resultados do vermelho. Essa política, segundo Álvaro Novaes, diretor de marketing da Bombril, deve ser mantida até o próximo ano para driblar o dinheiro curto no bolso do consumidor.

A eficácia da fórmula anti-recessiva, no entanto, depende de um ingrediente importante: a fidelidade de consumidores tradicionais e daqueles conquistados na era do Real. "A competição está mais acirrada do que nunca. Só se pode crescer tirando fatias da participação de mercado da concorrência", afirma Roberto Funari, diretor de marketing da Recktt & Colmann.

Enfrentar o mercado e garantir a fidelidade dos clientes muitas vezes custa dinheiro. Só a Reckitt & Colman investirá 150 milhões de dólares no triênio 1999/2001. O dinheiro será empregado em manufaturas e pesquisa de novos produtos, porque novidades ajudam a manter a clientela de todos os níveis sócio-econômicos.

No ano passado, as chamadas marcas intermediárias e as mais baratas foram as que mais cresceram, equilibrando o faturamento do setor. A Reckitt & Colman, por exemplo, lançou o limpador Lysol com preço mais acessível. Ao mesmo tempo, colocou nos supermercados a embalagem econômica de dois litros do veterano Veja. Para assegurar a fidelidade dos clientes, os fabricantes também têm agregado valor aos produtos já existentes. Produtos de limpeza pesada, agora, fazem dobradinha com germicidas, enquanto os amaciantes protegem as cores das roupas e combatem o mofo.

As vendas de cosméticos
devem crescer 5% este ano, mas o faturamento pode
encolher 30%: efeito cambial

A preocupação com o consumidor de menor poder aquisitivo não diminuiu a atenção dos fabricantes sobre a parcela de clientes que, apesar dos tempos difíceis, não abre mão de marcas tradicionais e mais caras. Para eles, a indústria tem lançado famílias de produtos, em que o "chefe" é um conhecido top de linha. É o caso do OMO, que, agora, tem cinco "filhotes."
Foto: Calé FUNARI, da Reckitt & Colman:

'A competição está mais acirrada do
que nunca. Só se consegue crescer tirando cliente da concorrência'

Essa mesma faixa de mercado acirra os ânimos entre Lever e Procter & Gamble. Seus melhores lutadores - Omo e Ariel, respectivamente - vão continuar protagonizando uma interessante disputa, alimentada por um mercado que movimenta U$$ 1 bilhão por ano. Os sabões em pó respondem por quase 30% das vendas dos produtos de limpeza. Por isso, a Procter quer que as vendas de seu líder mundial, só recentemente lançado no Brasil, saltem de 14% para 24% em um ano.

O setor de higiene e cosméticos também tem se guiado pela estratégia de vender mais por menos. No ano passado, as vendas cresceram 5,7% sobre 1997, enquanto o faturamento subiu modestíssimos 0,3%. Este ano, segundo João Carlos Basílio, presidente da ABIPEC, a entidade do setor, as vendas devem crescer mais 5%. O volume financeiro, em compensação, deve cair 18%.

É que 30% das matérias-primas usadas pela indústria são importadas, potencializando os efeitos da desvalorização do real. Para minimizar esse tipo de risco, a Natura - segunda maior do país, atrás apenas da multinacional Lever - está tentando atrair para o Brasil alguns de seus fornecedores internacionais: maturidade da indústria moderna.

 

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