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 Fumo


Fecha o cerco sobre a cortina de fumaça
Contrabando, exportações prejudicadas, excesso de produção e ações dificultam a vida do setor

A medida foi radical e os resultados ainda são muito modestos, mas espera-se que o Imposto de Exportação - medida extrema adotada em ocasiões capazes de ameaçar o abastecimento nacional - desencoraje o curioso contrabando de cigarros brasileiros. Eles cruzam fronteiras em direção aos países do Mercosul e Caribe e voltam ao Brasil para serem vendidos, a preços imbatíveis, principalmente por camelôs.

Desde janeiro, as vendas externas estão tributadas em 150%. Essa pesada alíquota do Imposto de Exportação (IE) visa desestimular esse vai-e-vem, que representa uma concorrência desleal, que, apenas em 1998, diminuiu em 25% as vendas no comércio legal. Os motivos são simples. O cigarro brasileiro está entre os mais tributados do mundo: o preço de selo embute 74,73% de impostos -- IPI, ICMS, PIS e Cofins. Mas os contrabandistas, oficialmente importadores estrangeiros, não pagavam esse acréscimo. Levavam a mercadoria e a traziam de volta ao Brasil para vendê-la com grande vantagem competitiva.

Por conta do IE, as vendas internas cresceram cerca de 5% no primeiro semestre. Em compensação, espera-se que, este ano, as exportações somem apenas a metade dos US$ 607 milhões registrados no ano passado. É que o IE afetou todas exportações para o Mercosul, Caribe e Europa - principalmente Rússia, um dos maiores compradores, e Bélgica, o maior distribuidor do cigarro brasileiro naquele continente. "O Brasil corre o risco de perder o sexto lugar no ranking mundial de exportadores de cigarros", afirma Nestor Jost, presidente da Abifumo. As empresas já estão registrando os efeitos em seus balancetes.

As exportações de folhas de fumo devem diminuir pelo terceiro ano consecutivo. Em 1998, caíram de US$ 1,91 bilhão para US$ 939 milhões

O lucro operacional da Souza Cruz, maior fabricante do país, diminuiu 43,2% no primeiro trimestre deste ano por conta do IE e do aumento da alíquota do Cofins. Caiu de R$ 70,6 bilhões no mesmo período do ano passado para R$ 40,1 milhões este ano.
Foto: Calé JOST, da Abifumo:

'O Brasil corre
o risco de perder o sexto lugar no ranking mundial de exportadores de cigarros'

A situação da indústria também é desconfortável na produção e exportação de folhas - o Brasil é o maior exportador mundial. O excesso na oferta mundial já provocou queda de 12% nos preços este ano e motivou um acordo entre os produtores, que deve diminuir em 10% a safra do próximo ano. A colheita deve somar 485 mil toneladas, contra as 540 mil de 1998. Assim, o resultado das exportações deve diminuir pelo terceiro ano consecutivo. No ano passado os valores já foram reduzidos à metade: de US$ 1,91 bilhão para US$ 939 milhões.

No mercado interno, dificuldades também se aproximam. Seguindo a tendência americana, aperta-se o cerco aos fumantes e à indústria tabagista. O governo do Rio de Janeiro, por exemplo, está reivindicando à Justiça americana que os fabricantes de cigarro daquele país reparem os gastos com a recuperação de brasileiros com doenças causadas pelo fumo. Na lista de exigências do governo do Rio estão: limitação de publicidade, redução do teor de nicotina no cigarro e a criação de medidas punitivas e educativas para adolescentes fumantes.

A causa não é simples, mas não é impossível. Em julho deste ano, a Justiça da Flórida decidiu que os fabricantes fazem um produto vicioso e causador de várias doenças. Esse veredicto pode obrigar a indústria a pagar bilhões em dólares.

 

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