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A saúde financeira do sistema bancário nacional
vai muito bem. Estudo feito pela consultoria Austin Asis, especializada
no acompanhamento do setor, mostra que a rentabilidade sobre o
patrimônio líquido de 22 instituições
pesquisadas pulou de 14% em março de 1998 para 28% no mesmo
mês deste ano. Nominalmente, a relação saltou
de R$ 16,9 bilhões para R$ 21,2 bilhões. Nos resultados
do primeiro semestre, as grandes instituições surpreenderam.
O lucro líquido do Itaú, por exemplo, foi 24,32%
maior do que o obtido em todo o ano passado. Pela primeira vez,
o Itaú superou o concorrente Bradesco.
A
desvalorização cambial e a elevação
das taxas de juros foram as responsáveis pelos ganhos extraordinários.
O elevado índice de capitalização do sistema
impediu que os incidentes na economia internacional entre 1997
e 1998 e o ajuste do câmbio produzissen maiores estragos.
A solvabilidade das instituições não estava
ameaçada e a maioria tinha headge para proteger posições
em dólar.
A
saúde e rentabilidade do setor continuam em forma,
mas o desafio na área do varejo será imenso,
trabalho
para gigantes |
A
partir de maio, com a guinada da política monetária,
o Banco Central deu novo rumo aos mecanismos do mercado, instituindo
as metas de inflação -- inflation target. E começou
a desmontar a intricada estrutura de depósitos compulsórios.
Eliminou essa obrigatoriedade sobre fundos de investimentos e
reduziu de 25% para 20% o recolhimento sobre depósitos
a prazo, além de ampliar os controles diretos sobre as
operações de câmbio e juros.
Resultado:
seis bilhões de reais voltaram ao mercado e os bancos passaram
a ter mais dinheiro para emprestar ao setor produtivo quando os
juros nominais começaram a ser reduzidos paulatinamente.
Agora, as instituições têm de contornar a
inadimplência, que tem marcado os ciclos de ampliação
do crédito, e aprender a ganhar com o crédito.
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CASTRUCCI,
da ABBC:
'O sistema
ainda está
super-dimensionado
para o tamanho da economia. Um ajuste
deve ocorrer nos próximos anos'
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Mais
do que nunca, o sucesso e rentabilidade nos negócios de
varejo vão depender de estruturas enxutas e eficientes,
que ofereçam serviços a baixo custo. Essas exigências
apontam para uma nova fase de reconcentração do
sistema. "O sistema financeiro brasileiro ainda está
superdimensionado para o tamanho da economia", afirma Antônio
Carlos Castrucci, presidente da Associação Brasileira
dos Bancos Comerciais (ABBC). "Um ajuste deve ocorrer nos
próximos anos."
Tal
ajuste deve contar com a participação vigorosa de
instituições estrangeiras. "A verdadeira briga
ainda não começou", adverte Luís Miguel
Santacreu, analista da Austin Asis. Em pouco mais de três
anos, a participação dos estrangeiros no ranking
dos 20 maiores bancos, pelo critério de ativos, passou
de 3,7% para 15,4%. Em dezembro de 1995, havia 231 bancos no país.
Destes, apenas três estrangeiros estavam no grupo. Em março
deste ano, o total de bancos caiu para 190 e agora são
sete os estrangeiros entre os 20 maiores.
Segundo
Santacreu, quando os eles mostrarem as garras, não restarão
mais do que seis mega bancos de varejo. A primeira mostra será
a privatização do Banespa ainda este ano. Quem ganhar
mostrará cacife para concorrer no novo perfil do sistema.
Também não será surpresa se, em breve, duas
grandes instituições brasileiras se fundirem para
peitar a concorrência externa.
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