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 Farmacêutico


Fortificado e pronto para alçar vôo
O setor quer crescer 15% ao ano e incrementar as exportações em 45%

A partir do início do próximo ano, começam a chegar ao mercado os medicamentos genéricos. Novidade no Brasil, eles representam cerca de 35% das vendas nos Estados Unidos e Europa. Aqui, estima-se que poderão movimentar entre US$ 600 milhões e US$ 700 milhões anuais. O governo espera que eles reduzam o preço médio dos remédios em 40% até 2003.

Os genéricos são copiados de drogas usadas em marcas tradicionais, cujas patentes venceram, podem ser fabricados por qualquer laboratório e, como não exigem investimentos em pesquisa e marketing, são mais baratos. Mas têm de passar pelo crivo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

"A regulamentação dos genéricos é competente e sua rigidez é comparável à das normas do Food & Drugs Administration (FDA)", diz José Eduardo Bandeira de Mello, presidente da Abifarma, que representa os fabricantes. "O que nos preocupa é a eficácia de nossa fiscalização"

Os laboratórios multinacionais, que respondem por 70% da oferta de medicamentos no País, têm produtos com patentes a vencer. E é provável que venham a registrar como genéricos remédios correspondentes às suas marcas registradas, garantindo presença nos dois mercados.

Em 1998, os fabricantes faturaram US$ 10,3 bilhões. Este ano, por conta do câmbio, o resultado deve ficar ao redor de US$ 8,5 bilhões.

Este ano, o faturamento da indústria deve ser 17,5% menor do que os US$ 10,3 bilhões de 1998 por conta do ajuste cambial - 70% das matérias-primas usadas são importadas. De janeiro a julho deste ano, o reajuste médio dos medicamentos foi de 11,10%, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGPM) chegaram a 3,62% e 9,95%, respectivamente.

Em 1998, o aumento médio foi de 2,8%. A variação do IPC foi de -1,8%, e a do IGPM, 1,8%. Apesar da folga sobre a inflação e da queda de 5% das vendas em relação a 1997, o faturamento chegou a US$ 10,312 bilhões - apenas 0,3% a menos do que em 1997. A retração foi compensada pelo aumento dos medicamentos que não estão entre os 100 produtos usados para o cálculo do reajuste médio. Alguns até triplicaram de preço. Na mira do Ministério da Justiça há 13 fabricantes que fizeram reajustes superiores a 20%, e a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) está verificando outros 74 laboratórios.

Foto: Gustavo Lourenção BANDEIRA DE MELLO, da Abifarma:

'O Crescimento da indústria vai depender da conclusão das reformas tributária e fiscal até o próximo ano'

O Brasil é o quarto maior consumidor de remédios no mundo e o setor trabalha com perspectivas positivas. "O volume de vendas poderá crescer até 15% ao ano a partir de 2000 se o déficit fiscal for contido e as reformas tributária e fiscal, concluídas", diz Bandeira de Mello. A retomada do crescimento interno e a expansão das exportações ao Mercosul, aos Estados Unidos e à Europa devem mover esse crescimento.

No ano passado, as vendas externas - equivalentes a 30% da produção - somaram US$ 140 milhões, o quarto lugar no ranking brasileiro. O Mercosul responde por dois terços desse total. Em 2000, a indústria pretende aumentar as exportações em cerca de 45% e chegar a US$ 200 milhões, incrementando os negócios com os Estados Unidos e Europa.

O Brasil deve ser favorecido pelo redesenho mundial do setor, impulsionado por fusões. Esse processo tem desativado fábricas em muitos países da América do Sul, concentrando a produção no Brasil e Argentina.

 

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