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CAPA DA SEMANA

 

 

 

 Eletroeletrônicos


Vale tudo para virar o jogo e mudar a maré
O setor está na fila de candidatos a fusões e aquisições com a benção do BNDES

A parceria industrial entre Gradiente e Philco, em negociação desde o final do ano passado, pode ser uma alternativa às fusões e aquisições, que têm atingido todos os setores da economia e já mostram as garras também na indústria eletroeletrônica. As duas empresas pretendem produzir e trocar entre si suas respectivas especialidades, em busca de maior escala, redução de custo fixo das instalações e de queda de preços. Mas sem prejuízo de áreas estratégicas como distribuição e marketing.

A dupla quer reverter a curva de prejuízos. A Philco perdeu R$ 155 milhões no ano passado, mas obteve lucro de R$ 1 milhão no primeiro trimestre deste ano. As perdas da Gradiente aumentaram: de R$ 8,9 milhões ao longo do ano passado para R$ 30,8 milhões apenas entre janeiro e março de 1999.

A indústria preocupa-se com o comportamento das vendas. Este é o terceiro ano consecutivo de queda. Pelas contas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a capacidade instalada permitiria ao país produzir 13 milhões de tevês, mas as vendas chegarão, no máximo, a 6 milhões. O risco de tamanha capacidade ociosa é a quebradeira.

Nas contas do BNDES, o Brasil tem capacidade para produzir 13 milhões de tevês, mas não
venderá 6 milhões este ano: o risco da ociosadade

Defensor da concentração em todas as áreas que exijam escala para sobrevier à concorrência, o BNDES apóia a iniciativa de Philco e Gradiente e também defende fusões e aquisiões que, a médio prazo, evitam um curto-circuito no setor eletroeletrônico. As vendas caíram de US$ 13,1 milhões, em 1996, para US$ 7,3 milhões no ano passado - quase metade. "Esse desempenho é equivalente ao período anterior ao boom registrado em 1994", diz Paulo Saab, presidente da Eletros, associação que reúne 25 fabricantes de eletrodomésticos.
SAAB, da Eletros:

'A trajetória
do mercado mudou.
Agora, a
expectativa é
fechar este ano
com o mesmo
movimento de 1998'

Em junho passado, os negócios da indústria cresceram 26,51% sobre maio, indicando um segundo semestre melhor. Além disso, esse período concentra 60% dos negócios do setor. "Os resultados indicam uma mudança na trajetória das vendas", afirma Saab. "A expectativa é de que essa tendência se mantenha e fechemos o ano com o mesmo movimento de 1998."

A questão é que de janeiro a junho, os negócios ainda estão 30% menores se comparados com o mesmo período de 1998. E 2000? Dependerá das taxas de juros e do nível de emprego. No auge do consumo, o próprio setor eletroeletrônico empregava cerca de 80 mil pessoas. Hoje, não chegam a 51 mil.

De um modo geral, a situação é melhor entre os fabricantes de produtos eletroeletrônicos para a indústria. A Associação Nacional da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) espera um crescimento real de 10% sobre o faturamento de US$ 32,99 bilhões de 1998. Beneficiado pelas privatizações nas áreas de geração, transmissão e distribuição de energia, além de telecomunicações, o setor também confia na manutenção da política cambial e de queda dos juros.

"Entre janeiro e maio, as importações diminuíram 19% em relação ao mesmo período do ano passado", diz Benjamim Funari Neto. Em 1998 elas atingiram US 10,9 bilhões - quase um terço do faturamento anual do setor.

 

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