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CAPA DA SEMANA

 

 

 

 Construção - Material


Do que são capazes as poderosas formigas
As vendas cresceram 3% no primeiro semestre sustentadas pelos pequenos consumidores

A indústria e o comércio de material de construção refizeram, para cima, os cálculos dos negócios. Com base no faturamento do primeiro semestre - 3% superior ao do ano passado - a Anamaco, representante dos lojistas, reviu projeções e agora estima um crescimento de 10% para este ano. A expansão representa dois pontos percentuais acima da média de 8% dos últimos quatro anos. Em 1998, a indústria e o comércio de material de construção faturaram cerca de US$ 104 bilhões. Só o varejo respondeu por US$ 28 bilhões.

"O segundo semestre será ainda melhor", afirma Cláudio Elias Conz, presidente da Anamaco. "Tradicionalmente, as vendas crescem nessa época." Os responsáveis pela reação do setor são os chamados consumidores formiga. Os produtos básicos foram os que mais venderam. A produção anual média de cimento, por exemplo, saltou de 25,2 milhões de toneladas em 1994 para 40 milhões de toneladas no ano passado.

Já está em curso a segunda
remodelação da indústria cimenteira. A primeira em
1996-1997 fortaleceu gigantes
estrangeiros

Esse potencial está estimulando a segunda remodelação da indústria cimenteira no país. A primeira foi no período 1996-97, quando sete companhias brasileiras trocaram de mãos. Então, gigantes mundiais ganharam expressão por aqui e também ocuparam espaço no Mercosul.

Uma delas é a cimenteira a suíça Holderbank, a maior do mundo e a terceira no Brasil - conhecida aqui como Holdercim. A líder suíça já avisou que continua buscando oportunidades no Brasil enquanto fecha outros negócios. Em fevereiro deste ano, ela assumiu o controle da Minetti, terceira do setor na Argentina. Acionista da Corcemar, outra empresa argentina, a Holderbank fundiu as duas companhias, tornando-se a segunda maior no país vizinho.

CONZ, da Anamaco:

'O segundo semestre será ainda melhor, porque,
tradicional-mente, as vendas crescem entre
junho e novembro'

Outra é a mexicana Cemex - terceira no ranking mundial e controladora da Corporación Venezolana de Cementos. Ela não participou da primeira remodelação. Preferiu instalar, pouco depois, um terminal portuário em Manaus, onde recebe e distribui cimento vindo da Venezuela. Em três anos, já abastece cerca de 40% da demanda do Amazonas e quer entrar em outros estados do Norte do País - região antes atendida exclusivamente pelo grupo João Santos - o segundo maior fabricante brasileiro. Dono de 46% e da liderança do mercado nacional, o grupo Votorantin tem estratégia inversa: cruzar fronteiras e crescer no Mercosul.

Na disputa entre os produtores nacionais de material, Cecrisa e Eliane, líderes de materiais cerâmicos protagonizam a disputa. Enquanto a Eliane festeja o recorde de exportações - US$ 280 milhões em 1998 e uma fatia de 35,5% do total das vendas externas do setor em maio deste ano - a Cecrisa comemora o retorno à liderança no mercado interno, perdida para a rival em 1995.

Ganharam as duas empresas, que absorveram o impacto das importações, investiram em novas tecnologias, em produtos diferenciados, reduziram custos e o preço final das mercadorias. "Investimos em qualidade, variedade e design para obter o mesmo nível de nossos principais concorrentes internacionais", diz Adriano Lima, diretor-superintendente da Eliane, que tem seis clientes estrangeiros, entre eles os Estados Unidos.

 

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