"Ruim com o plano, pior sem ele" Mesmo com o resgate, Joseph Stiglitz prevê uma dura recessão nos EUA
Por Denize Bacoccina
DINHEIRO - O que acontecerá com a economia americana?
JOSEPH STIGLITZ - Uma forte desaceleração. O pacote é malfeito e não trata dos principais problemas dos EUA: o rombo no balanço de pagamentos, a retomada das casas e o estímulo à economia, mas é melhor do que nada.
DINHEIRO - Quais os impactos na economia mundial?
JOSEPH STIGLITZ - Os EUA já não são a locomotiva global, mas é muito difícil para o mundo continuar forte quando a maior economia caminha em direção a uma recessão e Europa já está em recessão. Com EUA e Europa representando mais de 50% do PIB mundial, é muito difícil para China, Índia, Brasil e outros países emergentes compensarem essa fraqueza, especialmente quando vários dos países são voltados para a exportação.
DINHEIRO - Como o Brasil será afetado?
STIGLITZ - Cada país é afetado de maneira diferente. No caso do Brasil, talvez não seja tão ruim. As commodities vão cair de preço, mas a redução nas cotações dos alimentos deve ficar mais moderada.
DINHEIRO - E a inflação? Tende a crescer?
STIGLITZ - O preço do petróleo já caiu de US$ 140 para pouco mais de US$ 90. Isso já será uma grande força para reduzir as pressões inflacionárias.
DINHEIRO - O sr. escreveu um livro sobre o custo da guerra de US$ 3 trilhões. Acha que a guerra do Iraque tem influência na crise?
STIGLITZ - Muita. Ela levou ao aumento do preço do petróleo e fez com que gastássemos dinheiro no exterior, além de gerar um relaxamento no crédito e na regulação. Ela também levou a um enorme déficit fiscal, que reduziu o nosso campo de manobra.

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