OAS a doadora universal Empreiteira baiana se consolida como a maior e mais eficiente financiadora de campanhas políticas do País
ADRIANA NICACIO

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APESAR DA DISPUTA acirrada que marcou a campanha eleitoral no Rio de Janeiro, os candidatos convergiram num ponto. Revelaram seus financiadores. A lista foi divulgada antes do período obrigatório e apontou a construtora OAS como líder em doações. Seis dos sete candidatos receberam R$ 1,2 milhão da empreiteira baiana entre julho e agosto. O primeiro colocado, Eduardo Paes, informou que dos R$ 2,5 milhões que arrecadou R$ 350 mil vieram da OAS. O senador Marcelo Crivella, embora não divulgue valores, afirmou que a OAS é uma colaboradora. A lista é extensa. Solange Amaral recebeu R$ 250 mil; Fernando Gabeira, R$ 200 mil; e Alessandro Molon, R$ 100 mil. Jandira Feghali ganhou R$ 400 mil. Embora surpreenda, a participação da OAS na política é antiga. A ONG Transparência Brasil mostra no estudo "Um mapa do financiamento político nas eleições municipais brasileiras de 2004" que as doações da empresa foram as mais eficientes. "Eles são craques. Dos R$ 5,2 milhões doados para todo o Brasil, R$ 3,7 milhões foram para os que ganharam a eleição. Uma eficiência de 70,8%", disse à DINHEIRO o diretor da ONG, Cláudio Weber Abramo.
A OAS não comenta o estudo. Nem precisa. Contratada para obras como o Estádio Olímpico João Havelange, a reforma do Maracanã e obras de R$ 1 bilhão na Rocinha e nos Complexos do Alemão e de Manguinhos, é importante que mantenha boa relação política. Em 2006, a empresa doou R$ 10,4 milhões para as eleições e neste ano lidera o ranking. O diretor da Arko Advice, Cristiano Noronha, lembra que as empreiteiras vivem de obras. "O financiamento serve para aproximar."

Em São Paulo, o Sindicato da Construção Pesada, cuja diretoria é formada por OAS, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa, criou um plano de 200 obras, ao custo de R$ 15,6 bilhões, para servir de orientação aos candidatos. Nenhum deles, no entanto, mostrou as contas. Gilberto Kassab justifica dizendo que não quer constranger os doadores. Embora se diga favorável, Geraldo Alckmin não dá nomes. Marta Suplicy só o fará quando for obrigada pela legislação. Mas, a julgar pelo que ocorreu em 2004, a OAS é sempre um nome certo. Naquele ano, o então candidato José Serra recebeu R$ 450 mil. A empresa também fez seis doações ao diretório nacional do PT, entre 2002 e 2003, e no ano seguinte doou R$ 415 mil a Marta. A construtora está tão empenhada em participar que também tem sido a que mais financia os candidatos a vereador na maior cidade do País. |