MySpace quer virar o jogo Depois de perder a liderança e crescer menos do que o planejado, a rede social muda estratégia de NEGÓCIOS para se tornar mais LUCRATIVA
ROBERTA NAMOUR

 |
A REDE SOCIAL MYSPACE ESTÁ PASsando por uma crise de identidade. Criado há quatro anos pelos jovens Chris Dewolfe e Tom Anderson, o site perdeu em agosto a liderança para o Facebook, tomando como parâmetro o número de usuários. Pelo mesmo critério, foi a comunidade virtual que registrou no ano passado o menor índice de crescimento em relação a seus concorrentes - teve alta de míseros 3%, enquanto o Facebook e o Orkut evoluíram 153% e 41%, respectivamente. No Brasil, apesar de triplicar o número de sócios em 2007, o MySpace continua bem distante do Orkut e ainda perdeu a segunda posição para o portal latino-americano Sonico. O negócio que parecia fadado ao sucesso também decepcionou no campo financeiro. No ano fiscal encerrado em junho, não atingiu a meta de US$ 1 bilhão em receitas estabelecida pelo magnata Rudolph Murdoch, que adquiriu a marca em 2005. Embora não apresente oficialmente seus dados, estimase que o MySpace tenha faturado cerca de US$ 800 milhões. Ainda é muito, diante do desempenho da concorrência (para efeito de comparação, o faturamento do Facebook foi de US$ 265 milhões). Apesar de não admitirem a crise, os fundadores, Dewolfe e Anderson, concluíram que chegou a hora de mudar de estratégia.

Desde que foi comprado pela News Corp., de Murdoch, por US$ 580 milhões, o MySpace assumiu uma postura mais comercial. A rede social ultrapassou o apelo de conector de pessoas para se tornar também um fornecedor de conteúdo. "O MySpace está focado na construção de um negócio global rentável", disse à DINHEIRO Travis Katz, diretor de operações internacionais do MySpace. "Queremos aumentar a nossa participação nos mercados com grande potencial de receita publicitária, como o Brasil." Segundo o executivo, para assegurar a longevidade e o sucesso financeiro da rede, o segredo não está na conquista de usuários. "Estou mais preocupado em amadurecer o negócio", afirma.
Para se tornar mais receptiva aos anunciantes, a home page do portal foi remodelada. O site, que ficou famoso por revelar bandas desconhecidas, decidiu entrar também na comercialização de músicas digitais. Na semana passada, lançou o MySpace Music, em parceria com as principais gravadoras do mundo, para concorrer com o iTunes, da Apple. A ferramenta busca atrair usuários com uma mistura de música gratuita ilimitada, venda de faixas, ingressos para shows e merchandising. De acordo com Emerson Calegaretti, diretor-geral do MySpace no Brasil, uma versão nacional deve ser lançada no início de 2009. "Queremos ser líderes em captação de publicidade", diz Calegaretti. "Desde fevereiro operamos no azul, no Brasil."
A possibilidade de personalização das páginas dentro da comunidade virtual, uma das características do portal, tem atraído investimentos publicitários de marcas que querem interagir com os usuários. A Pepsi, por exemplo, lançou com exclusividade seu novo vídeo promocional no MySpace TV. A Warner e a Fox escolheram a rede social como um dos pilares de divulgação dos filmes "10.000 A.C." e "Jumper", produzidos pelos dois estúdios. "O fato de o MySpace ter uma temática bem definida o torna mais atraente como mídia e o posiciona de forma privilegiada em relação a outras redes sociais", diz Abel Reis, presidente da Agencia- Click, especializada em internet. O MySpace, enfim, descobriu que não bastava ser o preferido dos usuários. É preciso ganhar dinheiro também. |