Montadora à prova de crise Os irados Hot Wheels chegam aos 40 anos exibindo vitalidade e acelerando os lucros da Mattel
ROSENILDO GOMES FERREIRA

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Luxo para poucos: leilão do bólido feito em ouro e diamante (acima) tem preço mínimo fixado em US$ 140 mil |
COM O EQUIVALENTE A US$ 140 mil, um consumidor europeu pode comprar três incrementados Golf VR6 ou então um robusto Volvo XC90 e ainda levar de troco dois Alfa Romeo 147. Se a opção for por modelos classudos, a verba é suficiente para colocar na garagem duas Mercedes-Benz CLK 200 estalando de novas. Mas esse montante, no entanto, pode não ser o bastante para arrematar um bólido de cerca de oito centímetros de comprimento por 3,5 cm de largura que a americana Mattel Inc. pretende leiloar em dezembro. Batizado de Hot Wheels Jeweled Car, o veículo foi concebido pelo designer americano Larry Wood e confeccionado pela Jason of Berverly Hills - a joalheria que vende para socialites globais e estrelas de Hollywood. O valor se justifica pelo fato de sua carroceria ser feita de ouro branco, cravejada de 2,7 mil diamantes nas cores branca, azul e preta. Trata-se do exemplar mais caro já produzido pela "montadora", que chega aos 40 anos com a incrível marca de quatro bilhões de carrinhos vendidos no mundo. Nesse período, as réplicas e as criações originais do Hot Wheels se tornaram uma espécie de obsessão para crianças dos oito aos 80 anos. Alguns indicadores dão bem a dimensão desse fenômeno. A grife é citada em 15 milhões de páginas da internet. Apenas no Brasil, o site de relacionamento Orkut hospeda mil comunidades dedicadas à troca de experiências e venda de veículos em miniatura. São pessoas que topam pagar cerca de R$ 2 mil por um exemplar de ferro, produzido na década de 1960.

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Aposta verde-amarela: Eddy, diretor, virá ao Brasil para abrir a primeira convenção oficial da marca |
Para retribuir a lealdade dos fãs, a empresa incluiu o País no calendário de eventos de celebração do 40º aniversário. A festa terá como ponto alto a primeira convenção oficial da marca no Brasil, que acontece neste mês, em São Paulo. Além disso, a filial conseguiu autorização para customizar um veículo de verdade, de acordo com os atributos da marca: força, velocidade performance e atitude. O Punto (da Fiat) estilizado será apresentado por Jason Eddy, diretor de marketing global do Hot Wheels. "Os números comprovam a importância do Brasil, que é o segundo melhor mercado para a marca em todo o mundo", destaca o executivo, sem, no entanto, abrir os valores comercializados por aqui. Mas, afinal, o que faz um marmanjo pagar uma pequena fortuna para ser dono de uma miniatura? Para o psicanalista Jorge Forbes, os carrinhos remetem a uma parte do imaginário masculino em que potência, beleza e liberdade têm um grande peso. "A satisfação subjetiva de quem compra uma Ferrari de brinquedo é semelhante à de quem adquire um automóvel de verdade", opina.
Psicologia à parte, o certo é que a mística do Hot Wheels continua ajudando a acelerar as finanças da Mattel cujas receitas somaram US$ 5,97 bilhões no ano passado. As vendas globais do Hot Wheels avançam em um patamar superior a 10%, muito acima do obtido pela tradicional Barbie, por exemplo. Apesar disso, o Hot Wheels andou "derrapando" no Brasil. Erros na estratégia de distribuição tornaram difícil a vida dos colecionadores. Um problema que, segundo Thais Souza, gerente da marca na subsidiária brasileira, é coisa do passado. "Ampliamos de 19 mil para 25 mil o número de pontos-de-venda atendidos", conta. Hoje, os consumidores locais têm de esperar apenas três semanas para receber cada lançamento. Novidades não vão faltar, já que a meta é que as linhas de montagem situadas na Ásia produzam, segundo o diretor Eddy, 300 modelos neste ano. Número de causar inveja às gigantes do setor automotivo. |