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Mahindra olha para o Brasil
Fabricante de utilitários e carros de passeio, a empresa indiana quer fazer do país seu terceiro maior mercado

FLÁVIO R. SILVEIRA, DE MUMBAI

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FOTOMONTAGEM: TOLLER SOBRE FOTO DE AFP
NOVOS MERCADOS: Anand Mahindra, filho do fundador, aposta no crescimento do mercado brasileiro. Ao lado, fábrica da empresa em Mumbai

PARA CHEGAR AO PRÉDIO ONDE FUNCIONA A SEDE DO grupo Mahindra, um conglomerado que faturou US$ 6,2 bilhões em 2007 e que tem negócios em áreas tão diversas quanto indústria automotiva e entretenimento, é preciso enfrentar o caótico trânsito de Mumbai, capital financeira da Índia e terceira metrópole do país, com 19 milhões de habitantes. Imponente, o edifício chama a atenção num bairro repleto de favelas. É no último andar, numa sala com vista para um bonito jardim, que surge Anand Mahindra, filho do fundador da empresa e que hoje ocupa o cargo de vice-presidente, embora a gestão dos negócios esteja efetivamente em suas mãos. Simpático e sorridente, ele quer de cara informações sobre o Brasil. Antes de conceder entrevista exclusiva à DINHEIRO, faz perguntas sobre a música brasileira e tece elogios ao País. “Amo o Brasil. Acho que será um dos maiores do mundo, graças à sua independência de energia”, diz. “As novas descobertas de petróleo, além do uso do etanol, fazem do Brasil o mais forte dos BRICs.” Sobre Lula, também não economiza afagos. “Tivemos uma reunião e Lula disse aos empresários brasileiros que deviam agir mais como os indianos”, afirma. “Ele é muito honesto, diz o que quer. O Brasil tem que ser mais empreendedor, conquistar o mundo.”

FOTOMONTAGEM: TOLLER SOBRE FOTO DE GAUTAM SINGH

Fundada há 62 anos, a Mahindra detém atualmente metade do mercado indiano de utilitários e SUVs. Seus tratores conquistaram 20% do segmento de 20 a 60 cavalos dos Estados Unidos e a linha Scorpio, formada por um utilitário esportivo e dois modelos de picapes, é vendida na Espanha, Itália, África do Sul e também no Brasil. O grupo tem planos ambiciosos para o País. “Em dez anos, quero ver o Brasil como nosso terceiro mercado, atrás apenas da própria Índia e dos Estados Unidos”, afirma Pravin Shah, vice-presidente para operações globais da marca. Para reforçar sua presença mundial, a Mahindra contratou Pawan Goenka, indiano que trabalhou durante 14 anos na GM. Goenka comanda todo o setor automotivo da corporação.

Por enquanto, a presença da Mahindra em território brasileiro é tímida. Em parceria com o grupo nacional Bramont, os indianos investiram no final de 2007 R$ 100 milhões para montar a linha Scorpio em Manaus. Atualmente, são vendidas 80 unidades por mês. Segundo Anand, o grande desafio é vencer o preconceito natural contra a montadora indiana, desconhecida fora de seu país e sem uma imagem formada junto aos consumidores.

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