A nova ordem mundial
O Congresso americano resolveu brincar de blefe politiqueiro às vésperas da eleição. Foi uma asneira tremenda não aprovar logo na segunda-feira passada, de uma sentada só, o pacote de socorro-tampão de US$ 700 bilhões. A conta vai saindo cada vez mais cara. Só naquele dia do primeiro “não” parlamentar evaporou da economia dos EUA mais de US$ 1,2 trilhão. Um PIB brasileiro inteirinho indo pelos ares em 24 horas. Os deputados ficaram como responsáveis pela lambança. A essa altura do campeonato, não se trata mais de discutir a qualidade estrutural do pacote. É a saída possível. Para os EUA, e para o resto. Deixar o circo pegar fogo vai queimar todo mundo. Espanha, França, Rússia, Inglaterra, portentos da economia liberal, começam a mostrar os primeiros sinais de que estão chamuscados. O líder do mundo livre, sr. George Walker Bush, responsável-mor pela baderna financeira, sangra em praça pública. Perdeu a autoridade, perdeu o rumo e vai perdendo o papel. Terminará no ostracismo. Ato seguinte da presepada, alguém precisa cuidar.
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Que venham os bombeiros! Está na hora dos interventores. Todos constataram: o deus mercado não tem mais responsabilidade para viver livre e solto. O liberalismo exacerbado que os EUA pregavam e praticavam foi para a sarjeta. A mais banal discussão que segue, apesar das evidências, é se o Estado deve ou não intervir. É o seu papel essencial, faz parte de sua natureza histórica remediar situações de crise, agir como regulador no momento em que as regras não valem mais nada. O Estado como juiz terá a missão de arbitrar o jogo, ordenando o perde-e-ganha da roleta. Para o bem ou para o mal. Por trás desse movimento se molda a nova (nova?) ordem econômica mundial: um capitalismo com controles mais rígidos, supervisionado nas várias atividades e azeitado por recursos públicos. Pode soar “démodé”, mas é o que há de última palavra em termos de desenvolvimento sustentável. As rédeas estatais estarão ditando a globalização, quem diria. Na parte de baixo do mapa, o Brasil, prudentemente, começou a aplicar a cartilha. O governo Lula movimentou-se com ações intervencionistas para blindar a economia interna. Pacote de dinheiro para os agricultores. Para os exportadores. Para os empreendedores. A ordem: abrir a torneira, cobrindo assim a escassez de crédito privado. Ortodoxo, mas funcional.
Carlos José Marques |