Anuncie
Assine Três
 
  IstoÉ Dinheiro
 
Economia
Imprimir
 
A economia da lei seca
Redução dos acidentes pode cortar os gastos do sistema de saúde em R$ 500 milhões e liberar recursos para outros tratamentos

DENIZE BACOCCINA

comente a matéria

ARTE: EVANDRO RODRIGUES

DESDE QUE ENTROU EM vigor, há pouco mais de três meses, a lei seca mudou os hábitos de boa parte dos motoristas brasileiros. Muitos já não se arriscam a beber como antes, receosos dos bafômetros nos milhares de blitze em todo o País. O resultado foi uma redução significativa nos acidentes de trânsito. Mas a medida também tem um impacto econômico. O Ministério da Saúde estima que a economia pode chegar a R$ 500 milhões ao ano, se a redução se mantiver em torno de 10%, como nos primeiros meses. Em todo o País, o sistema público gasta R$ 5 bilhões com o atendimento médico-hospitalar, internações, cirurgias e tratamento das vítimas de trânsito, de acordo com estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). "Os primeiros reflexos já representam importante impacto na saúde pública.

R$
53
MIL

é o custo médio de um acidente de trânsito no Estado de São Paulo

Além de poupar vidas, a lei está reduzindo gastos com o tratamento de vítimas", disse à DINHEIRO o ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Só na Grande São Paulo, a economia é estimada em R$ 44 milhões nos hospitais públicos, baseada na redução de 43,6% no número de acidentes de veículos, motos e atropelamentos nos primeiros três meses da mudança. É o suficiente, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, para construir um hospital de médio porte. Outro levantamento da Polícia Rodoviária Federal mostra uma queda de 13,6% nos acidentes nas rodovias, com uma economia estimada em R$ 48,4 milhões nos dois primeiros meses. Em cidades onde o uso do carro é mais intenso a redução foi ainda maior. No Distrito Federal, o número de mortos no trânsito caiu 18,4% nos primeiros três meses de vigência da lei.

O economista José Aroudo Mota, coordenador de meio ambiente do Ipea, fez os cálculos dos custos em cada Estado, dependendo da proximidade das áreas urbanas e até da concorrência entre os hospitais. Um acidente custa cerca de R$ 53 mil em São Paulo, incluindo o resgate, o hospital, danos ao patrimônio público e privado, a remoção do veículo e o conserto. Mas pode chegar a bem mais em outros Estados. No Ceará os gastos aumentam para R$ 99 mil e no Distrito Federal, para R$ 108 mil.

Na vida real dos hospitais, a menor pressão dos acidentes nas emergências libera recursos - financeiros e humanos - para o tratamento de outras enfermidades. Levantamento do Ministério da Saúde em hospitais de grandes cidades mostra uma queda entre 17% e 30% no atendimento de acidentados. No Hospital Estadual do Mandaqui, em São Paulo, a diretora Magali Vicente Proença diz que a redução do atendimento a acidentes deixou mais tempo para a equipe se dedicar a outras emergências, como infartos e apêndices. "A equipe consegue desempenhar o trabalho com um pouco mais de tranqüilidade, embora o ritmo ainda seja intenso", disse ela à DINHEIRO. A médica notou que a lei seca reduziu não apenas os acidentes com carros, mas também a violência doméstica e as brigas de bar, mesmo em bairros mais periféricos, onde não há fiscalização.

Mas se o governo está satisfeito com os gastos menores, o mesmo não se pode dizer dos donos de bares e restaurantes. "Os efeitos são devastadores", diz o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes, Paulo Solmucci Júnior. Ele diz que o movimento caiu entre 40% e 60% nas primeiras semanas e que agora os bares já recuperaram praticamente o faturamento anterior. A queda agora é concentrada nos bares que vendem bebidas mais caras, geralmente localizados em bairros mais nobres das grandes cidades, onde há mais fiscalização. Com isso, a entidade está revendo a previsão de crescimento do faturamento do setor este ano, da estimativa inicial de R$ 52 bilhões para no máximo R$ 50 bilhões.

 


Edição Digital
Boletim
Gratuitamente,
receba as últimas
notícias e conteúdo
exclusivo do site.


Economia
Imprimir
   

Busca:
Sites Editora Três

Seções
Capa | Dinheiro Investidor | Dinheiro na Semana | E-commerce | Economia | Entrevista | Estilo | Finanças | Horóscopo | Negócios | Reportagens | Especial | Artigo
Serviços
Fale Conosco | ISTOÉ Dinheiro Digital | Expediente | Anuncie | Assine
Revistas TRÊS
IstoÉ | IstoÉ Dinheiro | IstoÉ Gente | Motorshow | Planeta | Dinheiro Rural | Go Outside | Menu

Gerenciamento de Conteúdo / CMS - ContentStuff.com