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Multimercados nas cordas
Fundos considerados ideais em períodos de volatilidade apanharam nos primeiros seis meses do ano. Como eles vão reagir?

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OS FUNDOS MULTIMERCADOS ESTÃO NA lona. E com os dois olhos roxos. O primeiro nocaute é conseqüência do retorno abaixo do esperado neste ano. Apenas 13 fundos dos 20 destacados como os mais rentáveis para o investidor em 2008 estão acima do CDI, o seu índice de comparação, de acordo com levantamento feito pela TAG Investimentos especialmente para a DINHEIRO (confira tabela). É verdade que esse desempenho está se arrastando há 12 meses, desde o início da crise do subprime nos Estados Unidos no início do segundo semestre do ano passado. Mas era esperada uma recuperação em um curto espaço de tempo. Principalmente porque os multimercados têm a versatilidade considerada ideal para os períodos de volatilidade. Seus mandatos permitem estratégias que vão da compra de ativos mais conservadores, como os títulos públicos, até ativos com um grau maior de risco, como as ações. O equilíbrio está no peso da mão dos gestores. E como faltou força para reagir, veio o segundo e mais dolorido golpe. Nos últimos 180 dias, os investidores resgataram R$ 21,5 bilhões. O montante está batendo à porta dos R$ 26,8 bilhões aplicados nesse tipo de fundo em 2007. Como o cenário será de instabilidade até o final do ano, é provável que os multimercados sofram mais resgates ao longo dos próximos meses.

EM SEIS MESES, INVESTIDORES RESGATARAM R$ 21,5 BILHÕES DOS MULTIMERCADOS

Os gestores que foram cautelosos conseguiram entregar um desempenho melhor para seus cotistas. Os fundos com retornos positivos utilizaram uma estratégia diferente daquela encontrada nos últimos anos. Era o chamado “kit Brasil”, no qual o ganho certo estava nas apostas de bolsa em alta e quedas dos juros e valorização do real sobre o dólar. Com o País navegando na mesma onda do cenário externo positivo, parecia não haver riscos nessa aposta. A mudança brusca da maré exigiu uma manobra rápida para continuar com retornos no azul. Os gestores que anteviram o maremoto e apostaram na alta dos juros no curto prazo e no aumento dos títulos pré-fixados na carteira se livraram de ficar nas cordas. “Sobressaímos bem na crise com uma estratégia com dólar, juros e inflação”, diz Gilberto Kfouri, diretor de investimento do BNP Paribas Asset. “O sucesso da estratégia no semestre começou em janeiro com a nossa aposta que o Banco Central subiria os juros de maneira mais forte”, confirma Antonio Dupim, sócio do Modal Asset.

PÓVOA, DO MODAL: GESTÃO COM MENOS RISCOS DEU RESULTADO

O Modal Eagle 60 parece um estranho entre os 10 multimercados com renda variável mais rentáveis. Isso porque há uma clara diferenciação quando se olha o desempenho das gestoras de recursos nesse período. As casas independentes estão sofrendo mais pelas estratégias agressivas com que conduzem seus fundos. É o caso da Mauá, de Luiz Fernando Figueiredo, da Quest, de Luiz Carlos Mendonça de Barros, e da Rio Bravo, de Gustavo Franco. Todos eles estão com os multimercados no vermelho. O Modal pode não se encaixar entre os independentes, mas seus fundos são comandados por Alexandre Póvoa, um gestor considerado agressivo pelo mercado. Até eles, porém, precisam fazer concessões. O Mauá FI Multimercado foi o melhor fundo de 2006, com retorno de 32%. A captação chegou ao teto permitido e ele ficou fechado para novos cotistas quando atingiu um patrimônio de R$ 1,5 bilhão. Veio a crise e o Mauá apanhou. Em 2007, retorno de 6,3% e o início dos pedidos de resgate. Com a piora de cenário em março, a estratégia foi revista e uma boa dose de cautela passou a fazer parte da estratégia. O risco do fundo está muito abaixo da média histórica: menos de 10% do limite permitido no prospecto. “Ficaremos com um nível de risco baixo até retomar a confiança”, diz Figueiredo. Atualmente, o Mauá está reaberto para captação e seu patrimônio atual é de R$ 421 milhões. Tanto Mendonça de Barros, da Quest, como Franco, da Rio Bravo, não responderam aos pedidos de entrevista.


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