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Como investir na vida mansa
Comprar ações é arriscado, mas pode ser a melhor opção para transformar seu tostão em milhão

ANA CLARA COSTA E MILTON GAMEZ

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O dia 27 de junho tornou-se uma data histórica para a Microsoft. Foi o último dia de trabalho de seu célebre fundador, Bill Gates. Aos 52 anos e com uma fortuna de US$ 58 bilhões, o criador do Windows se aposentou. Nem todos podem se tornar bilionários como ele, mas o sonho de se aposentar como um milionário está ao alcance de muita gente - inclusive você. É possível alcançar a chamada melhor idade com direito a fazer tudo o que se pretende e sem apertos no orçamento.

Mas como chegar lá sem ser um empreendedor de sucesso ou uma celebridade? Há muitas maneiras e não faltam livros de auto-ajuda, aconselhamento financeiro e histórias inspiradoras de como alcançar o primeiro milhão. Poupar dinheiro e investi-lo corretamente é fundamental. As aplicações convencionais, como a renda fixa e os fundos de previdência privada, ajudam a encher o pé de meia. Mas para deitar na rede com a tranqüilidade de um aposentado rico, talvez você também precise trilhar o caminho das pedras da Bolsa de Valores.

É por meio das ações que os investidores se tornam sócios de empresas que geram bilhões em lucros, ano após ano. Comprar parte do capital da Petrobras, da Vale e do Bradesco, por exemplo, é uma boa estratégia para engordar a carteira no longo prazo. Muitas vezes, porém, esse caminho é tortuoso e arriscado. No Brasil, onde o mercado de ações não é tão maduro quanto em países mais desenvolvidos, deve-se tomar cuidados adicionais. No curto prazo, a euforia vira ressaca de uma hora para outra e os investidores despreparados acabam perdendo dinheiro na Bolsa. O nervosismo atual dos mercados exige maior prudência dos investidores, mas eles não precisam mudar suas estratégias de longo prazo - exceto, claro, se julgarem que o capitalismo não vai superar a crise atual, como sempre acontece.

Este ano, o Ibovespa, termômetro da BM&F Bovespa, foi a quase 74 mil pontos em maio, depois que o Brasil foi considerado um destino seguro para investimentos pelas agências de classificação de riscos de crédito Standard & Poor's e Fitch Ratings. Mas depois o humor dos mercados mudou radicalmente e as cotações despencaram. Somente em junho o índice caiu 10%, voltando para o nível de 63 mil pontos, o mesmo do final do ano passado. Na quarta- feira 2, fechou em 61.106 pontos. As quedas de curto prazo podem ser boas oportunidades para ir às compras, dependendo dos preços das ações e das perspectivas de lucro num ambiente de instabilidade, com juros e inflação mais altos. Os investimentos em ações sempre devem ser feitos com cuidado e um pouco de cada vez - os melhores desempenhos são de carteiras montadas ao longo do tempo, em que os preços médios são melhores que os investimentos feitos de uma só vez. Quem entrou no pico de maio está lamentando, mas quem investiu lá atrás não precisa arrancar os cabelos: em dez anos, o Ibovespa subiu quase dez vezes. O olhar de longo prazo, portanto, é indispensável.

LIÇÃO NÚMERO UM: A ESCOLHA DAS EMPRESAS

O desafio é montar uma carteira de ações pensando em como estará o mundo dentro de dez, vinte ou trinta anos. A imprevisibilidade faz parte da vida. Há duas décadas, o mundo era outro, sem internet, sem celular. Haverá petróleo em 2030? As empresas lucrativas de hoje continuarão existindo? Uma coisa é certa: o tempo é implacável e, quanto antes você começar a poupar e a investir, mais irá aprender sobre o mercado de ações e mais dinheiro tende a acumular. "Trinta anos passam voando", afirma Robson Queiroz, diretor comercial da corretora SLW. Na cartilha dos investidores bem-sucedidos em ações, a lição mais importante é a escolha correta das empresas.

Você vai acertar e errar, mas deve sempre estudar a fundo as companhias nas quais irá depositar suas economias. Analisar detalhadamente os fundamentos econômicos e financeiros, a lucratividade, a distribuição de dividendos aos acionistas e o potencial de crescimento do negócio são pré-requisitos básicos para se montar uma carteira de aposentadoria de sucesso. Bancos e corretoras produzem fartas análises sobre as empresas mais negociadas na Bolsa. Esses relatórios nem sempre dizem quando há conflito de interesses - as companhias analisadas podem ser clientes das instituições financeiras, que ganham corretagens nos negócios -, mas trazem muita informação analítica individual e setorial.

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