HOME: REVISTA: Entrevista

 

Edemir Pinto
"A Bolsa demonstrou que tem força"

POR MILTON GAMEZ

CAROL CAQUEJEIRO/VALOR/FOLHA IMAGEM
  COMENTE A REPORTAGEM

Quem tem medo da sexta-feira 13? A última foi sinônimo de sorte para o novo presidente da BM&F Bovespa. Pois foi nesse dia que Edemir Pinto participou, na condição de principal executivo da terceira maior Bolsa de Valores e de Futuros do mundo, do primeiro IPO (oferta pública inicial) de sua gestão. Edemir vibrou com a fabulosa estréia da OGX Petróleo e Gás Participações no Novo Mercado. A empresa do supersticioso empresário Eike Batista fez o maior IPO do País, captou R$ 6,7 bilhões e animou o salão de eventos da Bovespa, reacendendo a chama dos IPOs. "Espetacular!", exclamou Edemir diversas vezes naquela manhã, feliz com a lição de Eike aos empresários que engavetaram seus IPOs no primeiro semestre. Depois, ele conversou com a DINHEIRO.

DINHEIRO - O que significa a abertura de capital e o IPO da OGX neste momento adverso do mercado acionário?
EDEMIR PINTO -
Significa muito. É isso o que os empresários no Brasil precisam ter: a coragem do Eike [Batista]. Muitas vezes eles não fazem uma avaliação adequada do cenário, ficam muito preocupados com o cenário externo. O Brasil é outro país, nossa realidade é completamente diferente. A gente viu tudo o que aconteceu lá fora, principalmente com a crise do subprime. O Eike não é apenas visionário, ele tem coragem. Está fazendo [o IPO] em um momento em que muitos empresários recuaram e estão esperando. Aquele que tem a visão antecipada vai e faz. Tanto que o IPO da OGX foi o maior da história do País, desbancou o da Bovespa e o da BM&F.

DINHEIRO - Como isso foi possível?
PINTO -
O destaque é exatamente o arcabouço de regulação e a transparência existentes hoje no País. Nosso diferencial é algo gritante quando comparamos o Brasil com os outros BRICS [grupo de países emergentes que, além do Brasil, também inclui Rússia, China e Índia], como normalmente faz o investidor estrangeiro. Estamos muito tempo à frente dos caras. O grau de investimento veio trazer um reforço adicional.

DINHEIRO - Por quê?
PINTO -
Qualquer mexida em contratos, em leis, pode comouplicar o selo que nós conseguimos. O governo brasileiro está ciente disso e cada vez mais vai transmitir ao investidor estrangeiro essa confiança na regra e no contrato.

DINHEIRO - Mas agora o governo quer mudar as regras para a exploração das novas descobertas das bacias de petróleo. Isso pode ter alguma conseqüência?
PINTO -
A revisão da legislação é natural, pois o País passa por um momento espetacular, principalmente por causa da questão do petróleo e do etanol. Assim, as regras têm de ser revistas a todo momento, principalmente agora. A ANP [Agência Nacional do Petróleo] tem feito um trabalho espetacular nesse ponto, tem respondido com muita rapidez às demandas.

DINHEIRO - Quais demandas?
PINTO -
No caso do mercado de etanol da BM&F, a ANP passou a olhar toda a legislação com carinho. No passado, não tínhamos o etanol negociado em Bolsa. A ANP está adequando as regras. Esse mercado vai ficar muito forte e precisa de regras adequadas para que todos possam operar.


PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>