Idéias tipo exportação Bancos globais aproveitam em outros países os serviços desenvolvidos por suas filiais brasileiras
ANA CLARA COSTA
CERTA VEZ, UM BANQUEIro espanhol teve a infeliz idéia de oferecer frigideiras e toalhas de banho como brindes para conquistar clientes no Brasil. A estratégia de marketing não funcionou e, pouco tempo depois, o BBV desistiu de competir no mercado de varejo do País e foi vendido ao Bradesco. O episódio mostrou que nem sempre é fácil importar idéias e conceitos praticados pela matriz estrangeira. Hoje, ao contrário, é o Brasil que exporta serviços desenvolvidos pelas filiais de bancos globais como HSBC, ABN Amro e Santander.
Eles embarcam não apenas produtos, mas também estruturas completas de organização. "Antes, os executivos da matriz vinham até aqui para dar treinamentos e workshops. Agora, é o contrário", diz Fernando Moreira, diretor de seguros do HSBC Brasil.
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MOREIRA E TEIXEIRA, DO HSBC: treinamentos e workshops para estrangeiros
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Recentemente, o banco com sede na Inglaterra enviou um time de brasileiros graduados para trabalhar na Cidade do México. O mais famoso é Emilson Alonso, que presidiu o HSBC por aqui e foi promovido a CEO para a América Latina. Marcelo Teixeira virou diretor de seguros para a região, depois de dois anos comandando a área no Brasil. Na bagagem, muitas idéias. No mês passado, o banco passou a oferecer o Seguro Verde aos clientes mexicanos. Criado no Brasil, o produto consiste na venda de apólices de vida e automóveis com um atrativo ecológico: a neutralização de carbono do segurado. Ao contratar o seguro, o cliente "adquire" um espaço de 100 metros quadrados de floresta. Aqui, os clientes acompanham as árvores pela internet. "É um produto que nunca vimos em nenhum mercado e que vamos batalhar para exportar", afirma Teixeira. A idéia é lançá-lo em breve na Argentina, no Panamá, em Honduras e em El Salvador. Outra criação nacional que deverá ultrapassar fronteiras é a previdência para jovens.
O Banco Real percorreu o mesmo caminho, mas em escala maior. O antigo controlador, o ABN Amro, criou um departamento de sustentabilidade nos mesmos moldes do brasileiro. Os holandeses vieram a São Paulo para aprender sobre o questionário socioambiental aplicado pelo banco a seus fornecedores e levaram a prática para a matriz. "Tudo o que fazemos vira referência mundial para o banco", diz Maria Luiza Pinto, diretora executiva de Desenvolvimento Sustentável do Real. A matriz foi vendida e o Real, comprado pelo Santander, ganhou no início do mês o prêmio de banco mais sustentável do mundo, atribuído pelo jornal britânico Financial Times.
No caso do Santander, a filial brasileira exportou a estratégia do setor de compras para os espanhóis. Antes, as compras do banco na Espanha eram feitas individualmente em cada setor. Agora, há apenas um, que é responsável por todo o material utilizado, desde o plástico dos cartões até o maquinário. No Brasil, a criação da área gerou uma economia de mais de R$ 180 milhões. O próximo passo é embarcar os serviços. A área de capitalização já despertou o interesse dos executivos na matriz. "Eles vieram conhecer o funcionamento dos títulos", explica Eduardo de Castro, superintendente de produtos do Santander. Colegas do Santander México visitaram o banco em São Paulo para aprender como funciona o cheque-especial. "Nosso setor financeiro é um dos mais sofisticados que há. Temos muitos produtos exclusivos criados na época da alta inflação", completa Castro. |