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O tiro curto dos juros
Alta da inflação coloca o título pós-fixado como ótima opção para o investidor. Mas por pouco tempo

MÁRCIO KROEHN

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A DECISÃO DO COMITÊ DE Política Monetária (Copom) do Banco Central, na quarta-feira 4, de elevar em 0,5 ponto percentual a taxa Selic, para 12,25% ao ano, é um indicativo de que os juros continuarão subindo no curto prazo. A decisão do Comitê baseia-se na crescente pressão sobre a inflação, que já escapa do centro da meta de 4,5%. O principal termômetro, o IPCA, acumula 5,04% em 12 meses. Nesse momento, o investidor deve deixar de lado os papéis atrelados aos juros prefixados. Ficar preso a eles, atualmente, é ser remunerado com prêmios mais baixos. A indicação é procurar pelos papéis pós-fixados, que pagarão conforme os juros na data de vencimento. Detalhe importante: essa estratégia deve ser usada como tiro curto. “Até o final de 2008, os juros não vão cair, o que faz dos títulos pós uma boa opção”, diz Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios.

Ter em mente esse horizonte é importante porque a curva ascendente dos juros tem prazo para terminar. A expectativa é que nas próximas quatro reuniões ao longo de 2008 o Copom mantenha seu ajuste de 0,5 ponto porcentual até controlar a inflação. “O pós-fixado é uma boa estratégia enquanto a demanda estiver aquecida e o mercado continuar repassando o preço”, diz o gestor Ricardo Martins, da Concórdia Corretora. Pela projeção futura, o pico de alta dos juros acontecerá no final do primeiro semestre de 2009. Depois, a tendência é de queda (veja no gráfico a projeção dos bancos em 30 de maio). Se essa curva se confirmar, é nesse momento que a remuneração do pós-fixado será a mais alta. Sinal de que o investidor deverá vender seus papéis para aproveitar ao máximo a tendência dos juros. “É importante ficar atento ao mercado para determinar quando os preços serão ajustados”, diz Martins.

O TESOURO DIRETO É A MELHOR OPÇÃO PARA INVESTIR PEQUENOS VALORES

O processo de aquisição de títulos pós-fixados, como os CDBs corrigidos pelo CDI, é simples. Para aqueles que irão comprar pequenas quantidades, o ideal é fugir de bancos e corretoras e comprar diretamente no site do Tesouro Nacional. Isso porque esses intermediários normalmente cobram uma taxa por essa operação. Quando chegar o momento de se desfazer dos títulos pós, o investidor não terá problemas. Os papéis são líquidos e o Tesouro possui um calendário de negociação. O mais importante é saber que para investimentos de curto prazo (até 180 dias) o imposto de renda pago é de 22,5%.