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Fundos
Alimentos de futuro
Raridade no Brasil, fundos que investem em commodities agrícolas são o primeiro passo para entrar no mercado de futuros. Conheça alguns deles e saiba quanto eles podem lhe fazer ganhar

ANA CLARA COSTA

CLAUDIO GATTI/AG. ISTO É
NEHMI FILHO, GESTOR DO SPARTA CÍCLICO: fundo que investe em café e boi deu mais de 70% de ganho só em 2008
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A ALTA DO PREÇO DOS ALIMENTOS PARECE não ter fim. Todos reclamam que a ida ao supermercado está cada vez mais cara. No entanto, essa pode ser uma boa oportunidade para investir. Se você ainda não se sente preparado para desbravar o mundo agrícola na BM&F, aplicar em fundos de commodities já é um bom começo. A subida dos preços de alguns produtos pode proporcionar ganhos surpreendentes. Boi gordo, café, milho, soja e trigo também passam, em um piscar de olhos, de vilões da inflação a protagonistas de bons lucros. Enquanto o mercado de ações degringolava no primeiro trimestre de 2008, quem investiu em commodities só teve razões para comemorar. Alguns fundos alcançaram só neste ano mais de 70% de rentabilidade. Para investir neles, não é preciso ser grande conhecedor da bolsa mercantil. Basta acompanhar o trabalho do gestor. Que tal, em vez de ter o pãozinho como inimigo, fazê-lo trabalhar para você?

No Brasil, não existe uma categoria para fundos que investem em commodities. Via de regra, são multimercados que aplicam também em índices de inflação, commodities financeiras (como o ouro), juros e Ibovespa. Já na Europa e nos Estados Unidos, fundos que investem em cereais e fontes de energia são muito populares. Eles ajudaram o investidor a compensar as perdas obtidas no mercado acionário durante a crise do subprime. “Esses fundos podem virar tendência no Brasil. O País é um grande produtor e tem tudo para crescer nesse mercado”, prevê Octávio Magalhães, gestor do fundo Guepardo FIA, da Guepardo Investimentos. Criado em 2004, investe em ações e em uma única commodity, o boi gordo. O fundo negocia um contrato com o produtor, garantindo que, em um prazo estabelecido, a arroba valerá um determinado preço. Na data de vencimento do contrato, se o boi estiver valendo mais do que o previsto no papel, o fundo ganha a diferença. Se estiver valendo menos, o fundo arca com o prejuízo. “Algumas commodities estão perdendo a força, mas o boi vai continuar em alta”, aposta o gestor. O Guepardo FIA obteve 562% de ganhos desde sua criação. Só em 2008, foram 20,5% .

FUNDOS DE COMMODITIES PODEM VIRAR TENDÊNCIA NO BRASIL

Outro destemido dos alimentos é o Sparta Cíclico, da Sparta Fundos. No Brasil, opera café, soja, milho e boi gordo. Nos Estados Unidos, entram na cesta o trigo, açúcar e o S&P 500 Futuro, índice que baliza o setor de commodities. Nos últimos 12 meses, foram mais de 362,8% de rentabilidade e 72,7% só em 2008. “O fundo não ganha só na alta. Se as commodities caírem, faremos posições de venda e ganharemos com isso”, explica o gestor Victor Abou Nehmi Filho. Se os fundos de commodities rendem ganhos tão significativos, por que são pouco explorados? A resposta, segundo Nehmi Filho, está na satisfação. “O investidor está satisfeito com a renda fixa e as ações. Quando esse mercado não oferecer tantos ganhos, as commodities virão à tona”, diz o gestor.

Gestoras independentes já perceberam esse filão. A Vision Brazil está prestes a lançar seu primeiro fundo no País com investimento em commodities, e a austríaca Superfund também estuda a idéia. E, se depender da demanda mundial, a alta dos preços perdurará. O aumento demográfico em economias expansionistas, como China e Índia, juntamente com a utilização de cereais (sobretudo o milho) para a produção de biocombustíveis, traça o destino das commodities agrícolas a médio prazo. Conseguirá o investidor brasileiro tirar proveito disso?