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LONG & SHORT
Um resultado difícil de engolir
Fundos de arbitragem sofreram com a volta da instabilidade. Vão conseguir se recuperar?

MÁRCIO KROEHN

RANDY FARIS/CORBIS/LATINSTOCK
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OS FUNDOS DE ARBITRAGEM DE AÇÕES, conhecidos como long & short, têm pouco o que comemorar. Em menos de um ano, a reputação que tinham de ser o investimento ideal para períodos de volatilidade foi colocada sob suspeita. Enquanto o percurso rumo à estabilidade econômica não apresentava curvas, esses fundos respondiam com performances elevadas. Mas foi só a reta acabar que eles sentiram o chacoalhão. Tinham deixado a espada bem afiada e se esqueceram dos riscos de se cortar. Agora estão cuidando dos machucados. “O mercado foi pego com exposição ao risco maior que o desejado”, afirma Paulo Clini, estrategista de renda variável do Western Asset. Em um ano, o retorno médio da categoria até março foi de 6,6% (abaixo do CDI de 11,3%) e os saques consumiram R$ 1,68 bilhão do patrimônio, segundo a Anbid. Vale lembrar que os fundos long & short nasceram de uma costela dos multimercados, há menos de três anos.

A passagem pelo hospital tem surtido efeito para essa jovem categoria se recuperar. O retorno de 0,57% no mês de março mostrou que os fundos de arbitragem estão retomando o oxigênio para voltar a crescer. Essa rentabilidade esteve em linha com os resultados da renda fixa (0,59%) e do DI (0,52%), considerados apropriados para cenários de juros em alta. E o desempenho poderia ter sido melhor. Muitos fundos acreditavam que o leilão da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) fosse se concretizar. Confiantes na privatização, muitos gestores montaram posições agressivas com o papel, imaginando ganhos de 20% em um curto período. O fracasso da operação, em março, fez a ação despencar cerca de 30% e gerou grandes perdas para eles. Poucos conseguiram escapar. “Ficamos fora porque tínhamos dificuldade de encontrar valor nesse papel”, diz Leonardo Messer, gestor de renda variável da Meta Asset Management.

Um dos fatores mais comentados pelos gestores é o descolamento dos papéis de primeira linha dos de segunda linha. É como se dois mundos distintos tivessem surgido no segundo semestre do ano passado. E essa divisão deve continuar ao longo de 2008. Por isso, as estratégias dos long & short vão se basear em papéis com bastante liquidez. Uma maneira de não ser pego de calças curtas se o mercado balançar novamente. “Os papéis de baixa liquidez demoram mais tempo para se recuperar em comparação às blue chips”, diz Sandra Petrovsky, superintendente da Votorantim Asset Management. Com isso, Vale e Petrobras vão continuar como as queridinhas. Também estão bem cotadas para arbitragens as ações dos setores siderúrgico e bancário.

MUITOS FUNDOS APOSTARAM NO LEILÃO DE PRIVATIZAÇÃO DA CESP E QUEBRARAM A CARA

Para quem imagina que os long & short precisam ser sempre agressivos, a BRZ Investimentos tem um fundo que pode ser considerado conservador. O GP Long Short FI Multimercado não usa alavancagem para obter ganhos nem posições direcionais, muito comuns em fundos de arbitragens. Busca blue chips e expõe no máximo 40% do patrimônio. Os gestores acreditam que a baixa volatilidade é uma maneira de conseguir rentabilidade constante no longo prazo. A estratégia tem dado resultado: retorno de 31% (115,7% do CDI) em 24 meses. “Muitos utilizam o fundamento para comprar ações. Aqui, nos baseamos em estatísticas e dinamismo para entrar e sair rapidamente do papel”, diz Mario Tomadon, gestor da BRZ Investimentos.