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Deitado em berço esplêndido
O americano Warren Buffett, novo homem mais rico do mundo, investe em reais

MILTON GAMEZ

AP PHOTO/NATI HARNIK
COLCHÃO DE LIQUIDEZ: Buffett, em seu encontro anual de acionistas, em Omaha, tem uma fortuna pessoal de US$ 62 bilhões
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Quer ser o homem mais rico do mundo? Comece cedo, trabalhe duro, invista em ações. Com esta receita, o americano Warren Buffett, 77 anos, conseguiu chegar ao topo do ranking dos bilionários. O megainvestidor desbancou o amigo Bill Gates, dono da Microsoft, que reinou por 13 anos na lista das maiores fortunas do planeta e agora ocupa o terceiro lugar, atrás do mexicano Carlos Slim. Segundo cálculos da revista Forbes, Buffett detinha uma riqueza pessoal equivalente a US$ 62 bilhões (R$ 104 bilhões), em 11 de fevereiro deste ano. Ficou US$ 2 bilhões acima de Slim e US$ 4 bilhões à frente de Gates. Em um ano, seu tesouro na bolsa de valores cresceu US$ 10 bilhões, cifra igual a toda a fortuna do empresário Antônio Ermírio de Moraes, o mais rico do Brasil. E, sinal dos tempos, o País colaborou com a ascensão financeira de Buffett.

O oráculo de Omaha, como é conhecido, ganhou uma bolada apostando no real.

Ninguém imaginaria que o real, o mesmo dinheiro que você tem no bolso, pudesse um dia entrar na carteira de Buffett. Nem ele. Ao divulgar os resultados anuais de sua empresa, a Berkshire Hathaway, no dia 1º de março, ele fez graça com a estratégia. “Mantivemos apenas uma posição de câmbio em 2007. E foi – prenda o fôlego – o real brasileiro”, escreveu aos acionistas. Dono de um humor espetacular, explicou de forma didática por que deitou no berço esplêndido do câmbio tupiniquim pela primeira vez na vida. “Há pouco tempo, trocar dólares por reais seria impensável. Afinal, no século passado, cinco versões da moeda brasileira viraram confete.” Muitos brasileiros ricos enviaram suas fortunas para os Estados Unidos, em busca de proteção. E quem fez isso perdeu, nos últimos cinco anos, metade do valor investido na moeda americana. “Desde 2002, em todos os anos o real subiu e o dólar caiu.”

Ele tem razão: a cotação das verdinhas, de R$ 3,53 no final de 2002, chegou a R$ 1,77 em dezembro passado e já está na casa de R$ 1,67. Não fosse o Banco Central, a queda seria maior ainda. “Na maior parte desse período, o governo brasileiro segurou a cotação do real e deu suporte à nossa moeda, comprando dólares no mercado”, ressaltou Buffett. Seus lucros com o real foram de US$ 100 milhões em 2007. Pode ser um pequeno passo para um gigante como ele, maior acionista de uma corporação que lucrou US$ 13 bilhões no período. Mas é um salto para os brasileiros.

Buffett é talvez o mais conservador dos grandes investidores. Ao contrário de George Soros (fortuna de US$ 9 bilhões), algoz da libra esterlina e mestre em detectar desequilíbrios nos mercados e apostar grandes somas contra as moedas, Buffett aposta a favor. E escolheu o real como porto seguro cambial de pelo menos uma parte dos seus investimentos. Como ele não gosta de arriscar um único dólar com especulações, nunca troca o certo pelo incerto e rejeita investimentos exóticos ou que simplesmente não entenda, o fato de investir qualquer soma em reais tem grande significado. E que transcende a queda da moeda americana, que, para Buffett, deve continuar enquanto os americanos gastarem US$ 2 bilhões por dia a mais em produtos importados do que nos fabricados nos Estados Unidos. “Não é que Buffett confia no real e desconfia do dólar. Ele confia nos fundamentos da economia brasileira, na força das nossas empresas”, diz o economista André Segadilha, chefe de análise da Corretora Prosper.

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