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Os bastidores do Calendário da Pirelli
Como a empresa italiana transformou o lançamento da peça em um evento recheado de mistérios e badalação na China

ADRIANA MATTOS, DE XANGAI

CALENDÁRIO 2007: a estrela da capa foi Sophia Loren

A cidade é Xangai e o assunto do momento não era nem o crescimento da economia chinesa e muito menos os Jogos Olímpicos de Pequim que acontecem no próximo ano. Na terra de Mao Tsé-tung, os comentários giravam em torno de um dos maiores símbolos da moda e, obviamente, do capitalismo: o famoso Calendário da Pirelli 2008. A empresa italiana fez questão de manter o segredo, estimular o mistério, mas, na quinta-feira 29, o mercado pôde, finalmente, conhecer um belíssimo calendário em um evento cheio de pompas. Na jogada de marketing habilmente costurada para criar expectativa e curiosidade em torno do produto, foram dados dois tiros certos. O primeiro foi na escolha da cidade, símbolo do crescimento econômico em uma China moderna. O segundo, e mais importante, foi no modo de lançar o calendário. Com quatro décadas de história, a versão de 2008 chega para ser a mais exclusiva de todas as edições. Nos anos anteriores, a empresa distribuía 30 mil exemplares e a nova tiragem tem 10 mil a menos.

SOB HOLOFOTES: Estrela nas ruas de Xangai A modelo chinesa Mo Wan Dan foi clicada em meio à multidão

O cuidado com esse lançamento não ocorre por acaso. A empresa tinha de criar algo que superasse as publicações anteriores. E isso, em se tratando do Calendário da Pirelli, é uma tarefa árdua. No ano passado, por exemplo, ninguém menos do que Sophia Loren, Naomi Watts, Hilary Swank e Penélope Cruz ilustraram as páginas em poses ousadas, em camas de hotéis de luxo em Londres. Dessa vez, a receita das modelos seminuas em trajes orientais foi usada e abusada. As tops chinesas MoWan Dan e Du Juan, as australianas Gemma Ward e Catherine McNeil, as inglesas Agyness Deyn e Lily Donaldson, e mais outras seis modelos foram clicadas, em Pequim, pelo fotógrafo-celebridade Patrick Demarchelier, um dos queridinhos no mundo da moda, amigo de Mario Testino e habitué das capas da Vogue francesa e da americana Vanity Fair. O destaque da edição ficou com duas garotas: a chinesa Maggie Cheung e a brasileira Carolina Trentini. A primeira nasceu em Hong Kong e tornou-se conhecida do público em filmes como "Chinese Box" (1997). Já Caroline Trentini é top model da marca de lingeries Victoria's Secret. Citada por alguns como a nova Gisele Bündchen, ela foi descoberta pelo mesmo agente da gaúcha.

LENTES: Fotógrafocelebridade em ação O famoso Patrick Demarchelier capta imagens de Maggie Cheung e Sasha Pivarova

O que torna o Calendário da Pirelli especial é que poucos poderão ter o prazer de ver a edição original. Afinal, apenas 20 mil pessoas no mundo inteiro receberão o produto. "É para preservar sua exclusividade", disse a Pirelli em comunicado. Ele não é vendido ao público, mas enviado como presente de Natal para algumas pessoas, como o príncipe Charles e o vocalista do U2, Bono Vox. A decisão de reduzir a tiragem acabou gerando expectativas ainda maiores. O luxuoso hotel, Pudong Shangri-la, em Xangai, que serviu de sede para o jantar de gala da Pirelli, estava lotado na noite da concorrida festa e as reservas acabaram em setembro. Apesar de toda a pompa, é possível conseguir um exemplar no mercado paralelo. No site eBay, encontra- se o calendário de 2007 à venda por US$ 75. A publicação de 2005 custa menos, cerca de US$ 30. Neles, abusava-se muito mais da sensualidade do que agora. A nudez quase explícita do calendário dos anos 2000 cedeu espaço a uma elegância discreta na edição de 2008. E, claramente, a mesma elegância sem pudores usada pela Pirelli para transformar o velho calendário de borracharia em símbolo de glamour e objeto de desejo de colecionadores - alguns muito ricos, muito chiques e muito famosos.

ANTES E DEPOIS: Top model brasileira em destaque A modelo Carol Trentini, uma das estrelas, posando para a foto e (à dir.) o resultado final