HOME: REVISTA: Entrevista

 

10 perguntas para John Dineen
DANIEL LEB SASAKI

ANDRE PORTO/AG. ISTOÉLonge dos olhos do público, um braço importante da General Electric, a GE Transportation Systems, está em franco crescimento no Brasil. Ela é comandada por John Dineen e fabrica os trens que escoam a maior parte das riquezas geradas pela indústria mineradora nacional. Dineen esteve no País e falou com exclusividade à DINHEIRO. "O presidente Lula está muito interessado nos nossos negócios, pois há planos de aumentar a rede ferroviária brasileira", diz nesta entrevista. Confira:

O que o mercado brasileiro representa para a GE Transportation Systems?
O Brasil tem sido uma grande parte dos nossos negócios. Estivemos aqui quando o mercado estava bom e quando estava ruim. Isso mostra quão importante o País é para nós.

Em que se baseiam as operações da empresa aqui?
Fornecemos produtos para a indústria ferroviária. Fabricamos locomotivas cargueiras e equipamentos, e fazemos manutenção e reparos. Também usamos nossa tecnologia de propulsão em veículos rodoviários e nas indústrias náutica e de mineração.

O mercado brasileiro está aquecido?
Está voltando a ficar forte, depois de um longo inverno. Diversificamos nossa capacidade e passamos a produzir aqui unidades para outros mercados, como Colômbia, África do Sul e Jordânia. A exportação se tornou um dos pilares das nossas operações.

O que está puxando a retomada do setor?
A indústria de mineração, nãosó no Brasil, mas na América Latina. Este é um momento sem igual para a economia mineradora e os países estão investindo pesado em infra-estrutura, porque a tendência de crescimento é para os próximos 50 anos.

Como está a capacidade de produção?
Temos uma fábrica em Contagem (perto de Belo Horizonte, Minas Gerais) desde 1972, que é a única fábrica de locomotivas da América Latina e a única da GE no Hemisfério Sul. É o nosso centro de excelência na região, com 600 funcionários e uma estrutura de negócios completa. Fizemos investimentos significativos e dobramos sua capacidade de produção recentemente.

Quem são os maiores clientes no Brasil?
Temos um relacionamento de longo prazo com a CVRD (Companhia Vale do Rio Doce) e a MRS Logística. Elas representam boa parte das nossas receitas aqui. Além disso, produzimos 60% da frota de trens que estão em circulação no País.

Qual o potencial de mercado de um país com dimensões continentais?
As ferrovias são muito mais eficientes no escoamento do que caminhões ou qualquer outro tipo de transporte. O comércio exterior também é um fator importante: materiais brutos que precisam ser escoados e voltar como produtos. Isso põe muito estresse sobre os transportes e a infra- estrutura. E a capacidade que temos disponível nas ferrovias está pronta para ajudar a absorver essa demanda. Sem falar que é uma alternativa mais econômica.

Quais são os custos mais altos envolvidos?
O investimento na operação de ferrovias. Há uma série de custos variáveis, sendo o mais notável o combustível. É por isso que investimos muito dinheiro em tecnologias de economia de combustível nas nossas locomotivas.

Como avalia a qualidade das nossas ferrovias?
As ferrovias geridas por grupos privados são muito bem administradas e mantidas. Elas representam 90% do total por onde passam trens de carga.

Vocês recebem algum tipo de incentivo do governo brasileiro? Recebemos apoio no sentido de termos taxas atraentes. No passado, elas não eram e isso prejudicava a localização da nossa produção e o volume. O presidente Lula está muito interessado nos nossos negócios. Há o gancho do projeto do trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo e planos de aumentar a rede ferroviária brasileira, os portos e a produção de locomotivas, para poder aumentar também o volume. As ferrovias são as artérias da economia da indústria mineradora.

"O presidente Lula está muito interessado nos nossos negócios. As ferrovias são as artérias da economia da indústria mineradora"