10 perguntas para Eugênio Staub ADRIANA MATTOS
Homem forte da Gradiente, o empresário Eugênio Staub comanda há meses um profundo processo de reestruturação na companhia, que inclui sua saída da presidência do grupo. A partir de 1º de outubro, Nelson Bastos, sócio da Íntegra Associados, vai comandar o dia-a-dia do grupo. Staub fica no Conselho de Administração. Na entrevista que se segue, o empresário de 66 anos admite que errou em certos momentos, se defende de críticas e fala dos novos planos para a marca.
Como está o processo de reestruturação do grupo?
Neste exato momento, nós estamos criando aqui o que chamamos de "Nova Gradiente". Vai ser uma empresa mais adaptada à nova conjuntura do mercado, mais enxuta, que irá operar com um portfólio de produtos 100% rentáveis. Vamos ficar mais fortes.
O que deve ser cortado do portfólio da marca?
Não vamos mais fabricar TVs convencionais, só a ultraslim (televisor de espessura reduzida) e as de plasma e de cristal líquido. Nessa empresa com nova cara, Nelson Bastos assumirá o cargo de CEO em outubro. Eu ficarei apenas no Conselho de Administração, ocupando a função de presidente, que já era minha.
Muitas empresas falharam nesse processo de profissionalizar o comando...
Eu sei, eu sei, mas no nosso caso vai dar certo. Vou dividir um pouco o trabalho com o Nelson, que já conhece bem a empresa [esteve no grupo de 1964 a 1980] e digo que vou ser um presidente de conselho ativo. Ele terá o trabalho de levar a empresa ao resultado positivo. Eu vou ter o trabalho de cobrá-lo.
Qual é a atual situação financeira da empresa?
A empresa tem hoje uma dívida de R$ 185 milhões com bancos, sendo que R$ 160 milhões só com o BNDES. Outros R$ 115 milhões são débitos com fornecedores. Desse valor, mais ou menos R$ 23 milhões referem-se a dívidas com a Samsung SDI (fornecedora de tubos de imagem), e estamos tentando negociar isso. No caso dos bancos, a dívida está em dia, e com o BNDES temos um débito restante de R$ 50 milhões.
Foram necessárias demissões de pessoal?
Fizemos alguns cortes, mas não é o que os sindicalistas dizem. Entre junho e agosto, dispensamos 127 pessoas em Manaus. Em São Paulo, foram 23 demitidos. Tínhamos 920 trabalhadores em janeiro e hoje temos 770 pessoas.
Podem acontecer novos cortes de empregados? Não temos um novo plano de demissões agora. Isso não quer dizer que não possam acontecer novas dispensas. Isso só quer dizer que não temos isso em mente agora.
Em que a Gradiente errou?
A empresa errou, é verdade, mas os acertos foram muito maiores que os erros. Acho que talvez não tenha sido certo acreditar que o segmento de TV continuaria aquecido após a Copa do Mundo. Mas não fomos só nós que erramos. Todo mundo errou.
A situação da empresa é delicada. Foi só esse erro?
Outro erro foi achar que o mercado de televisores com cinescópios (de tubos de imagem) no Brasil manteria patamares elevados de vendas. Isso não aconteceu. Na época, acreditamos que era o caminho certo. Não era. Mas eu acho que a Gradiente fez muita coisa certa na hora certa.
E quanto aos problemas com falhas nos produtos com peças importadas da China?
Tivemos esse problema, mas isso está resolvido. Temos um departamento que só cuida de qualidade aqui e tem olhado isso de muito perto. Talvez tenhamos ainda mais algum efeito no balanço com isso, mas temos segurança da qualidade de nossos produtos.
Qual o tamanho da companhia hoje?
Nós tínhamos três grandes 'sites' (terreno industrial com diversos galpões e fábricas) em Manaus, e não era preciso tudo isso. Todo mundo tem um 'site' só. Então decidimos vender dois deles. Devemos embolsar com as duas vendas cerca de R$ 45 milhões.
"Vou ser um presidente do conselho ativo. O Nelson (Bastos) terá o "trabalho de levar a empresa ao resultado positivo. Eu, o de cobrá-lo" |