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" A empresa que faz o certo é castigada"
O principal executivo da fabricante de brinquedos Mattel no Brasil diz que governo tomou uma medida desproporcional ao proibir suas importações e que a decisão transmite ao mundo uma imagem negativa do País

DANIEL LEB SASAKI

Alejandro Rivas
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O ano de 2007 não tem sido nada fácil para a maior fabricante de brinquedos do mundo, a Mattel, e nem mesmo o sorriso cativante da boneca Barbie consegue esconder a crise de imagem por que passa a empresa. Toda a polêmica começou com um recall de 967 mil brinquedos fabricados na China com níveis tóxicos de chumbo na tinta. Identificado o problema nos Estados Unidos, o fornecedor chinês cometeu suicídio. Um escândalo, certamente, mas o drama não parou aí. Antes mesmo que a poeira baixasse, o grupo realizou outro recall, de 21,8 milhões de produtos, 850 mil vendidos no Brasil, o suficiente para desencadear uma onda de ataques e protestos nas mais diversas frentes: órgãos de defesa do consumidor, entidades e empresas do setor, imprensa, sociedade. No começo do mês, quando a Mattel convocou o terceiro recall, o governo brasileiro perdeu de vez a paciência: por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, anunciou na terça-feira 11 a suspensão de todas as licenças de importação de produtos da empresa. A Mattel protesta.

“Estamos sendo castigados injustamente”, diz Alejandro Rivas, gerente geral da empresa no Brasil. Que destino terá a Mattel? Confira na entrevista:

DINHEIRO – Como a empresa classifica a suspensão da licença de importação dos produtos?
ALEJANDRO RIVAS - Achamos que é uma medida desproporcional, porque nós já apresentamos esclarecimentos sobre o recall, que é um procedimento normal. Cumprimos com toda a legislação. Não entendemos por que aconteceu isso.

DINHEIRO – A reação em outros países se assemelha à brasileira?
RIVAS – Não. Não se assemelha a nenhum caso.

“Os efeitos podem ser devastadores para o varejo. Muitos dependem de nós”

DINHEIRO – O Idec classificou a medida governamental como “bastante positiva”...
RIVAS – Quando as pessoas não têm a oportunidade de falar é muito injusto. Tentamos em muitas ocasiões falar com essa senhora (Marilene Lazzarini, presidente do Idec) e ela não quis nos atender.

DINHEIRO – O que o governo alegou para suspender a licença?
RIVAS – Posso dizer o que saiu na imprensa, porque o governo não nos enviou nenhuma notificação oficial. A imprensa fala que o objetivo é impedir que os brinquedos que estão na lista do recall ingressem no País. Acho que isso não tem muita justificativa, pois fomos os primeiros a retirar todos os produtos do recall das prateleiras e a informar às autoridades e ao consumidor. Imagine se a companhia continuaria tentando comercializar esses produtos. Claro que não.

DINHEIRO – Como a matriz reagiu?
RIVAS – Obviamente, a matriz está surpresa, porque nós distribuímos e vendemos produtos em mais de 100 países no mundo inteiro, e essa é uma medida sem precedentes. Uma companhia que faz um recall preventivo, sem ter registrado nenhum acidente no Brasil ou em qualquer lugar. Tomamos uma medida que está na legislação. Os governos pedem que as companhias façam recalls. Aqui, fomos castigados com a paralisação das nossas atividades. Isso equivale a fechar uma montadora líder porque um cinto de segurança de um modelo que tem poucas vendas tem um pequeno problema de qualidade.

DINHEIRO – A imprensa noticia que a restrição está em vigor desde 17 de agosto, mas que a Mattel e o governo a mantiveram em segredo. Por quê? RIVAS – Eu não diria “segredo”. Nós falamos com o ministério (do Desenvolvimento) e imediatamente nos inteiramos e tentamos falar com eles. Finalmente, conseguimos uma reunião. Desafortunadamente, não foi com o ministro. Esclarecemos os pontos e eles pediram ainda mais informações, que lhes foram enviadas.

DINHEIRO – Como têm sido as conversas com o Idec, o Inmetro e demais órgãos que têm jurisdição sobre o assunto?
RIVAS – Novamente, insisto que em várias ocasiões tentamos falar com a senhora do Idec e ela, infelizmente para a Mattel, não está disponível.

DINHEIRO – De quantos produtos estamos falando e de que forma a suspensão vai impactar o abastecimento e as vendas da empresa?
RIVAS – Tenho fé que esta situação será rapidamente solucionada, porque realmente não achamos que existam motivos para uma resolução tão drástica. Mas caso isso não aconteça, os efeitos serão devastadores para a Mattel e para o varejo. Muitos varejistas dependem de nós. Distribuímos nossos produtos em 18 mil pontos de venda.

Muitos deles são varejistas de pequeno porte e empresas familiares que dependem muito da Mattel. O consumidor também será afetado, porque determinados produtos possivelmente vão aumentar de preço, em resposta à procura maior do que a oferta. Infelizmente, também é muito triste para o País, porque enquanto somos tratados com esse rigor, o Brasil abre a porta para o mercado informal e a pirataria. Metade do mercado já é informal e isso é muito prejudicial. Os piratas trabalham sem nenhum controle e com produtos que podem ser de alta periculosidade e toxicidade.

DINHEIRO – Que medidas a empresa está tomando, para que as vendas do Dia das Crianças e Natal não sejam muito prejudicadas?
RIVAS – Já faturamos boa parte das encomendas do Dia das Crianças. Mas ainda faltam muitos produtos que estão presos no porto. E novamente falo: esperamos que prevaleça o bom senso e que rapidamente a nossa licença seja autorizada de novo.

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