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As finanças de um megatraficante
Depoimentos de Juan Carlos Ramírez Abadía à Polícia Federal, obtidos com exclusividade pela DINHEIRO, revelam como é simples lavar dinheiro sujo no Brasil

Por Cláudio Júlio Tognolli, especial para a DINHEIRO

FOTOS: RIVALDO GOMES/FOLHA IMAGEM
"Peter", um amigo de Bogotá, era a pessoa com a missão de transformar o dinheiro de Abadía em imóveis e fazendas espalhados pelo País
Como o traficante lavava o dinheiro

O narcotraficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía, preso em 7 de agosto passado pela Polícia Federal num condomínio de luxo em São Paulo, é dono de uma fortuna avaliada em US$ 1,8 bilhão, segundo informações do Departamento de Estado norte-americano. Isso representa apenas uma fração dos US$ 3 trilhões que as dez principais máfias do mundo, enraizadas em 23 países, movimentam por ano, a partir dos US$ 200 bilhões gerados pelo tráfico de cocaína. O dado mais estarrecedor, no entanto, não é o patrimônio de Abadía, mas a forma aparentemente simples com que ele lavava dinheiro no Brasil. Nos seus depoimentos à Polícia Federal, obtidos com exclusividade pela DINHEIRO, fica claro que ele não decidiu se esconder aqui por mero acaso. Com fronteiras e aeroportos sem fiscalização eficiente, o dinheiro muitas vezes entrava no País por automóveis e era depois distribuído a vários portadores, que o traziam de avião a São Paulo. Em seguida, de táxi, eles o levavam até a mansão do traficante Abadía, em Aldeia da Serra, nas cercanias de Alphaville.

Tudo extremamente fácil, rápido e seguro. O mapa financeiro desse megatraficante, que não possuía uma conta bancária no Brasil, está descrito nas 222 linhas do depoimento que Abadía prestou à PF. Nele, o colombiano assegurou que é um traficante independente e que nunca pertenceu a nenhum cartel. "Gostaria de esclarecer que conheço todas as pessoas do Cartel de Norte Valle, mas cada um tem seu negócio independente", disse ele. Abadía também indicou que duas empresas na Colômbia são as bases de seu negócio.

FOTOS: RIVALDO GOMES/FOLHA IMAGEM
FOTOS: RIVALDO GOMES/FOLHA IMAGEM
FOTOS: RIVALDO GOMES/FOLHA IMAGEM
O LUXO DE ABADÍA: com o dinheiro vivo e as jóias, ele comprava bens como o iate Azimuth

"As empresas foram constituídas na Colômbia com recursos do narcotráfico, sendo que uma atuava no ramo imobiliário e outra no ramo de comunicações", afirmou no depoimento. Em seguida, ele relatou seus passos no Brasil, desde que chegou ao País, há três anos: "Peguei um barco na Venezuela, desembarquei no Nordeste brasileiro, não me recordo em que cidade. Depois, peguei um carro, andei com ele uns 400 ou 500 quilômetros, até que embarquei num pequeno avião. Vim nesse avião até o interior de São Paulo. Aqui parte do tempo em São Paulo, mas morei também em Florianópolis, Curitiba e Porto Alegre".

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