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" O céu de brigadeiro não vai durar para sempre"
Economista que lançou o Plano Real aponta os efeitos da crise internacional no Brasil e defende uma agenda mais ousada de privatizações no setor de infra-estrutura

LANA PINHEIRO

MENIN, EM SÃO BERNARDO (SP): seu sonho é lançar 40 mil unidades a cada ano
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O dia 15 de agosto, em que se comemora a assunção de Nossa Senhora, foi feriado em várias cidades. Uma delas, Belo Horizonte, sede da construtora MRV, que acaba de fechar o maior lançamento de ações do setor imobiliário da história do País. A operação, concluída após uma intensa maratona de road-shows internacionais, rendeu R$ 1,2 bilhão aos cofres da empresa e deixou para trás IPOs de construtoras mais conhecidas, como Cyrela, Inpar e Brascan.

Com um sucesso tão estrondoso, era de se esperar que o empresário Rubens Menin, um engenheiro de 51 anos, tirasse enfim um dia de folga. Que nada! Sem ter como trabalhar na capital mineira, Rubens embarcou para Campinas, no interior paulista.

Foi vistoriar um dos seus canteiros de obras. No mesmo dia, seguiu para São Bernardo do Campo, onde visitou um conjunto habitacional de 700 unidades que já está todo vendido. “Não dá para descansar”, disse ele. “Nossa missão agora é muito grande”. Rubens não exagerou. O plano que ele vendeu aos investidores, numa operação coordenada pelo UBS Pactual, é transformar sua construtora na maior do mundo em unidades vendidas. A MRV, que irá lançar 10 mil imóveis neste ano, quer chegar a 40 mil até 2010, superando três empresas mexicanas que são as maiores: Homex,Geo e Urbi. “Isso é viável”, garante o empresário de 1,95m que acaba de se tornar um novo bilionário. O valor de mercado da MRV já é de R$ 4 bilhões e Rubens, que fundou a empresa em 1979 ao sair da faculdade, possui 44% das ações, o que equivale a R$ 1,8 bilhão.

As contas do engenheiro são simples. No México, são lançadas 600 mil novas unidades habitacionais por ano. Aqui, onde só agora o mercado imobiliário começa a despertar de um marasmo de quase 30 anos, o volume deve chegar a 150 mil em 2007.

CONSTRUÇÃO CIVIL: crédito imobiliário se multiplicou por cinco desde 2004

Ocorre que as condições macroeconômicas dos dois países hoje são muito parecidas. Além disso, o Brasil também colocou em prática alguns instrumentos, como a alienação fiduciária, que existem lá há muito mais tempo. A diferença, a nosso favor, é o fato de termos uma população 50% maior. “Nós teríamos de ser, no mínimo, iguais ao México”, diz ele. Isso significa crescer quatro vezes de tamanho, ou seja, justamente o que a MRV, focada em imóveis econômicos, pretende fazer nos próximos anos. Rubens diz que o Brasil dispõe de imensas áreas disponíveis, possui qualidade técnica e, agora, há também crédito farto. Dados do Banco Central apontam que os financiamentos imobiliários devem chegar a R$ 15 bilhões neste ano (leia quadro acima). “O nosso desafio é adequar a gestão para um salto de crescimento tão grande”, diz ele.

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