A caçada pelos executivos Sobram cargos, faltam profissionais e os salários subiram. Saiba o que você precisa para ser cobiçado
Por Carlos Sambrana
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| VALORIZAÇÃO: DE UM ANO PARA O OUTRO, OS SALÁRIOS SUBIRAM 30% |
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Se você está lendo esta matéria, prepare-se. Tire o seu terno do armário, arrume o cabelo, faça um belo retrato e mostre o seu talento para o mercado de trabalho. O espaço vago na capa desta edição pode, em breve, ser seu. Desde o milagre econômico, na década de 70, o mercado brasileiro de contratações não passa por um momento tão aquecido. Há vagas de sobra e profissionais em falta. “A demanda por executivos qualificados está muito acima do que o Brasil é capaz de oferecer”, diz Sam Osmo, sócio da Korn Ferry, empresa especializada em recrutamento de executivos de alto escalão. Esse fenômeno, é bom salientar, teve início no fim de 2006 e se acentuou no primeiro semestre do ano. Entre os principais motivos desta fase de ouro no mercado executivo estão a enorme quantidade de empresas abrindo capital na Bovespa (neste ano, 31 companhias fizeram ofertas iniciais de ações), a corrida pelo etanol, os investimentos no agronegócio, a explosão do setor imobiliário com a fartura de crédito, o aumento do consumo e a demanda por serviços de tecnologia. “De um ano para o outro os salários dos grandes executivos subiram 30%”, afirma Denys Monteiro, sócio da Fesa Global Recruiters.
O que faz a diferença no mercado é ter boa formação , ter trabalho no exterior e conhecer práticas de gestão
Mas quem são esses profissionais tão requisitados pelo mercado? DINHEIRO conversou com as maiores consultorias de head hunters do País e escutou executivos recém-contratados para responder essa pergunta e desvendar os motivos que levaram ao atual apagão de talentos. “Nas últimas décadas, o Brasil não cresceu como se esperava e isso gerou um grande contingente de jovens sem empregos e profissionais maduros sem experiência”, diz Antônio Joaquim Motta Carvalho, sócio-fundador da Panelli Motta Cabrera. Agora, as exigências são maiores e quem se encaixa no perfil procurado é contratado a peso de ouro. Os salários médios dos presidentes de empresas estão na faixa dos R$ 80 mil mensais – com bônus de seis a doze salários no fim do ano. “Esse profissional tem de ser versátil, mostrar que tem capacidade para atuar no Brasil e em qualquer empresa do mundo”, diz Osmo, da Korn Ferry. “O ideal é ter trabalhado no Exterior e ter conhecimento de práticas internacionais de gestão.” Somado a isso, o executivo de hoje deve reunir boa formação acadêmica, profundo conhecimento técnico e, obviamente, estar alinhado com a cultura da futura empresa.
R$ 80 mil mensais é quanto ganha, em média, um presidente de empresa
O novo presidente do braço de etanol do grupo Odebrecht, Clayton de Miranda, de 51 anos, contratado há apenas um mês, é um desses profissionais disputados pelo mercado. “Não medimos esforços para contratar o melhor executivo”, diz Guilherme Abreu, diretor de planejamento, organização e pessoas do grupo Odebrecht. Formado em engenharia química, Miranda trabalha no setor de agronegócio e etanol há quase trinta anos. “Em 1979, participei da primeira exportação de álcool do Brasil”, diz Miranda. Esteve em grandes empresas do setor como Cotia Trading e, até o início desse ano, presidia a Coimex. “Estamos entrando no mercado para conquistar a liderança”, diz o executivo. Para isso, a Odebrecht vai investir R$ 5 bilhões na aquisição e construção de usinas nos próximos cinco anos. Acontece, contudo, que a empresa, como todas as outras do setor, está encontrando algumas barreiras. “Faltam profissionais de A a Z, do motorista ao químico.” Devido a esse entrave, a companhia comprou a usina Alcídia, no Pontal do Paranapanema, em São Paulo, e está formando 100 novos profissionais. “Provavelmente, eles serão disputados pelo mercado.”
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