O PREÇO DO CAOS AÉREO
A TAM vai resistir? O acidente do vôo 3054 coloca um ponto de interrogação na credibilidade da empresa e pode ter impacto em suas finanças
Por Adriana Mattos e Joaquim Castanheira
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| PRÉDIO DA TAM EXPRESS DESTRUÍDO: imagem abalada junto aos usuários |
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No momento em que o vôo 3054 se chocava contra um prédio da TAM Express em São Paulo, no maior acidente aéreo da história do País, o engenheiro politécnico Marco Antonio Bologna, presidente da TAM, acabava de desembarcar em Miami (EUA). Preparava-se para desfrutar um período de férias ao lado da mulher e dos dois filhos. Eram os primeiros dias de um descanso planejado para dezembro de 2006 e adiado devido ao apagão nos aeroportos, no qual a TAM desempenhou o papel de protagonista. Desta vez, ele chegou lá, mas não ficou. Já na Flórida, por volta das 18h (horário local) da terça-feira, ao saber do acidente, Bologna embarcou para São Paulo, provavelmente mergulhado numa dúvida: a TAM vai resistir ao pior cenário que uma companhia aérea pode vivenciar, a queda de uma aeronave com a morte de todos os seus ocupantes? "É uma situação-limite", afirma José Carlos Martinelli, consultor em aviação. "Ainda é cedo para avaliações, mas nenhuma empresa passa incólume por uma crise dessas." Num primeiro momento, a responsabilidade parecia pender para o lado da crise aérea dos últimos meses e, por tabela, para as autoridades do setor. Mas, na noite da quinta-feira 19, o Jornal Nacional divulgou que um dos reversores da aeronave, dispositivo que auxilia na frenagem, enguiçara há uma semana e que, desde então, estava desligado. Mais: dias depois, o mesmo avião, vindo de Belo Horizonte, tivera dificuldade em aterrissar em Congonhas.
A TAM admitiu a veracidade das informações. Imediatamente, a situação, que já era grave para a companhia, tornou-se ainda mais dramática. Na quarta-feira, um dia antes de o defeito se tornar público, Bologna garantiu, em entrevista coletiva à imprensa, que a aeronave "estava em perfeitas condições de manutenção e de aerogovernabilidade e de operação". Momentos depois, afirmou que a empresa não tinha registros de queixas dos pilotos sobre dificuldades de pouso nos dias que antecederam o acidente. Em comunicado, a TAM disse "que o reversor direito do Airbus A320 que realizou o vôo JJ 3054 foi desativado em condições previstas pelos manuais de manutenção da fabricante Airbus". Além disso, completa, "o procedimento não configura obstáculo ao pouso da aeronave". Na sexta-feira 20, outro problema com um A320 da companhia ocorreu em Belém. O avião apresentou defeito mecânico durante um vôo para Manaus e teve de retornar. A TAM não informou a natureza da pane. Mais tarde, os passageiros foram informados que o vôo havia sido cancelado.
As implicações de uma eventual falha na manutenção são aterradoras para qualquer companhia. Se for comprovado que a falta do reversor contribuiu para o acidente em Congonhas, as seguradoras podem até se negar a pagar as indenizações aos parentes das vítimas e à própria TAM pela perda do avião (o modelo A320 custa US$ 67 milhões). Essa é uma hipótese que a empresa não comenta. A TAM desembolsou, em 2006, R$ 35 milhões por apólices de US$ 1,5 bilhão.
JULHO DE 2007 |
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| Bologna (centro) garante apoio aos familiares. Mas, em Porto Alegre, eles ouvem os nomes das vítimas pelo rádio |
Somente a investigação dará a palavra final sobre o assunto. Mas a notícia foi um duro golpe para o grupo, sobretudo por trazer de volta às manchetes o reverso, equipamento que provocou a queda do Fokker 100 em 1996. A comparação entre os dois acidentes é inevitável. Ambos mataram todos os ocupantes. Tanto um como outro tiveram como palco o Aeroporto de Congonhas, incrustado no coração da maior cidade brasileira e, portanto, visível aos olhos de todo o País. Enquanto a queda do Boeing da Gol, oito meses atrás, aconteceu no meio da floresta amazônica, longe do alcance das câmaras de televisão, as chamas provocadas pela colisão do Airbus da TAM foram transmitidas ao vivo durante toda a noite e o dia seguinte, provocando impacto muito maior na imagem da empresa de Bologna.
CONCENTRAÇÃO: a TAM responde por 40% das decolagens e pousos de Congonhas
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