FUNDOS DE INVESTIMENTOS
Tem um buraco no meio do caminho Queda dos juros transforma os multimercados no melhor desvio para quem busca retornos mais atrativos
POR MÁRCIO KROEHN Fotografado para a DINHEIRO por Wellington Cerqueira
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| VILELA:"Não precisamos ter os cavalos mais rápidos, mas temos que evitar os mancos" |
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A estrada rumo à estabilidade econômica é longa e sinuosa. O Brasil atravessou muitas crises no passado, mas domou a inflação, livrou-se das amarras cambiais e está a um passo de ser considerado um destino confiável para investimentos pelas agências internacionais de classificação de risco. Não é à toa que as taxas de juros têm caído e tendem a ficar ainda menores, levando consigo o confortável ganho das aplicações de renda fixa. Os investidores já perceberam a mudança de rota e buscam obter retornos mais elevados nos fundos multimercados, também chamados de híbridos. Essa categoria, que combina ativos de renda fixa (títulos públicos e privados) e de renda variável (ações, dólares e contratos de futuros e opções), tem crescido bastante.
Há um ano, os multimercados tinham 13% do patrimônio total dos fundos. Em meados de maio, essa parcela atingia 24%. É apenas o começo. "Daqui para a frente, a busca pela rentabilidade levará o investidor a procurar os fundos multimercados cada vez mais", diz Erik Carvalho, gestor da Ventura Gestão de Recursos. Explica-se. Quanto mais os juros caírem, mais atrativos tendem a ficar os fundos híbridos, que buscam ganhos maiores em tacadas simultâneas em vários mercados. Os riscos são maiores, mas as oportunidades, também. "Os multimercados são uma maneira de conseguir rentabilidade com diferentes tipos de ativos", explica Marcio Appel, diretor-executivo da Santander Asset Management.
Os grandes bancos de varejo prepararam- se para atender às novas expectativas dos investidores. O Santander Banespa lançou cinco multimercados em dois anos. Três deles estão entre os dez mais rentáveis na faixa de aplicação inicial de até R$ 10 mil. Para diminuir os riscos e conquistar até os mais conservadores, o banco desenvolveu fundos com capital garantido, que devolvem o dinheiro investido (mais a correção pela caderneta de poupança) em caso de mau desempenho dos ativos escolhidos. Até agora, não houve surpresas desagradáveis. O Santander Diferencial Mais 3 FICM, por exemplo, alcançou, em 12 meses, retorno de 14,72%, acima dos 13,76% do CDI e da queda de 2,65% do dólar no período.
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| APPEL: "Os multimercados são uma maneira de conseguir rentabilidade com diferentes tipos de ativos" |
Quem quiser diversificar deve ficar atento aos fundos disponíveis. Na corrida pelos melhores rendimentos, as gestoras independentes costumam fechar a captação dos multimercados quando estes atingem um tamanho considerado ideal para manter a agilidade na tomada de decisão e na movimentação dos ativos. O Fundo Ventura Hedge FIM, que teve a melhor rentabilidade entre os investimentos a partir de R$ 50 mil, restringiu o patrimônio ao atingir R$ 357 milhões.
Outras vedetes que já fecharam as portas são o Gávea Brasil FIM, com patrimônio de R$ 1,5 bilhão, e o fundo Mauá FIM, com R$ 1,3 bilhão. Em comum, eles têm no comando executivos que passaram pelo Banco Central no governo FHC, quando a estabilidade econômica era mais um desejo do que um fato consumado: Armínio Fraga, da Gávea Investimentos, e Luiz Fernando Figueiredo, da Mauá Investimentos. Já o Quest 30 FIM, da gestora do ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, tem patrimônio de R$ 709 milhões e está aberto para aplicações a partir de R$ 100 mil. A Bolsa é uma das principais apostas da Quest Investimentos na diversificação desse fundo. As ações já representam 40% da rentabilidade, segundo o diretor de investimentos Marcelo Vilela. A escolha de empresas dos setores mais promissores na conjuntura atual é o principal desafio dos gestores. "Não precisamos ter os cavalos mais rápidos, mas temos que evitar os mancos", diz Vilela. |