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FALE COM O RAINHA
Líder
do Movimento Sem Terra participa
de chat promovido pela Dinheiro
O
Brasil possui 120 milhões de hectares de terras improdutivas.
Segundo a Comissão Pastoral da Terra, é terra suficiente
para assentar quase 5 milhões de famílias de sem-terra.
O governo diz que a reforma agrária caminha bem. O governo
FHC promete terminar o ano assentando 650 mil famílias, quase
três vezes mais que todos os governos anteriores juntos fizeram.
São esses números, o motivo da discórdia entre
o governo e os líderes do Movimento Sem-Terra (MST) que vem
travando uma disputa que já virou um verdadeiro cabo de guerra.
De um lado o governo diz que para aumentar o número de assentamentos
é preciso criar fontes alternativas de receita, o que só
é possível se a reforma tributária sair do
papel. Para pressionar, o MST sai para o ataque invadindo não
apenas terras improdutivas mas prédios públicos. Este
é o tom da briga liderada por José Rainha Junior.
Líder e fundador do MST, José Rainha iniciou sua formação
política em 1978, em Linhares (ES), na Pastoral da Juventude.
Dois anos depois, ingressou no Movimento Sindical Rural (ES). Dali
seguiu para o Nordeste, onde ajudou a criar um núcleo de
sem-terra na região. No início da década de
90, sua missão estava no pontal do Paranapanema (SP), epicentro
do movimento no País. Ali surgiram os confrontos de maior
repercussão entre fazendeiros e os sem-terra. Desde então,
os embates com a polícia e com a Justiça viraram rotina
na vida de Rainha que sequer sabe com exatidão a quantos
processos responde. "Recebo intimações todos
os dias", diz ele. Já ficou foragido, foi parar na cadeia,
e hoje, em liberdade, continua incomodando quem é contra
a reforma agrária no País.
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