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NEGÓCIOS |
Quarta-feira, 26 de maio
de 2004 |
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RETORNO DA CREST |
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Procter & Gamble entra novamente no mercado brasileiro de
creme dental. Mas com cautela, para não repetir o escorregão
do sabão Ariel |
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Leia
também
• Números
da Procter & Gamble
Daniela
Fernandes
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CERQUEIRA,
DIRETOR
Dura missão de vender
um creme dental a R$ 14 |
Na
semana passada, a Fundação Oswaldo Cruz divulgou um
estudo com números dramáticos: 14,4% dos brasileiros
já perderam todos – todos! – os dentes. Num cenário
desses, é espantoso que os maiores fabricantes do mundo briguem
como cão e gato pelo mercado de creme dental. Unilever e
Colgate digladiam-se há anos nesse segmento. E outra titã
entrou na disputa: a americana Procter & Gamble, com a marca
Crest. O produto é líder de mercado americano e rende
à companhia mais de US$ 1 bilhão ao ano. A Crest esteve
nas gôndolas brasileiras em 1996, mas “desapareceu”
quando o dólar disparou.
Importada
dos Estados Unidos, ela voltou ao mercado custando R$ 14. Mas como
vender um produto que, na nação dos desdentados, é
caro por si só e, para piorar, os concorrentes diretos (Sensodyne
e Aqua Fresh) custam a metade do preço e as marcas mais baratas
ficam na casa dos R$ 2? O segredo, diz a Procter, é colocar
a Crest nos lugares certos. Para isso, a multinacional está
se valendo dos serviços da Marcas Internacionais. É
a importadora de algumas marcas da Procter para o Brasil (como a
batatas Pringles, por exemplo). Mas não só uma importadora.
A Marcas Internacionais cuida também do marketing e da distribuição.
“Só quando a importação torna-se muito
pesada é que a filial da Procter assume”, diz Leonardo
Cerqueira, diretor comercial da parceira. “A Crest não
veio para brigar com marcas regionais. Queremos atender um nicho
específico: o dos habitués de aeroportos, que já
compram a marca no free shop.”
Por
isso, a Procter está sendo cautelosa no relançamento
da Crest. No ano passado, 1 milhão de unidades desembarcaram
no País, sem comerciais de tevê, sem anúncios
em revistas, sem outdoors nas ruas. E a ordem era essa mesmo: ir
com calma. A companhia investiu US$ 2 milhões para trazer
o produto de volta. A campanha de marketing prioriza varejistas,
atacadistas e dentistas, numa espécie de força-tarefa
de convencimento e esclarecimento. Nos supermercados, o objetivo
é cavar espaço nas prateleiras mais altas. “Se
a nossa embalagem fica acima das outras marcas, a diferença
é nítida: a Crest é muito maior”, diz
Cerqueira. Outra artimanha: mostrar aos clientes, por meio de um
cartão desenhado, que o tubo de Crest (175 gramas) equivale
a três tubos e meio das marcas concorrentes (50 gramas cada
e R$ 28 no total). Só depois de avançar nessa “catequização”
é que o marketing focará no consumidor final. Sobre
a possibilidade de produzir a Crest no Brasil, os executivos não
confirmam. Mas também não descartam.
A
estratégia traçada para a Crest representa uma mudança
na forma da Procter atuar no Brasil. Em 1997, quando trouxe o Ariel
para enfrentar o todo-poderoso Omo, da Unilever, a Procter investiu
US$ 300 milhões só em divulgação. Foi
a tática do trator: entrar no mercado passando por cima.
Sete anos depois, o Omo segue firme no topo do ranking. “O
Ariel teve um bom desempenho no começo”, diz um ex-executivo
da Procter que pediu para não ser identificado. “Mas
a empresa não manteve o ritmo dos investimentos de marketing.”
Assim, depois de um início fulminante, quando chegou a ameaçar
o Omo, a participação do Ariel despencou.
No
caso da Crest, o que impera é a cautela. A mesma cautela,
marca registrada da Procter, impede a empresa de comentar os rumores
que circulam no setor há cerca de um mês: a Procter
estaria estudando a compra de um laboratório no Sul do País
a fim de reforçar a sua posição no setor farmacêutico.
Os executivos da empresa não confirmam, mas a suposta aquisição
até que faria sentido. Há 15 anos no Brasil, com três
fábricas e vivendo de produtos antigos como a pomada Hipoglós,
a Procter está longe de ter aqui o gigantismo que tem no
resto do mundo.

US$
43
bilhões
é
o faturamento mundial da
Procter & Gamble |
Suas 300
marcas são
consumidas por
5 bilhões
de pessoas |
Líder
no mercado americano, a marca Crest gera à P&G receita
anual de
US$
1
bilhão
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