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MÍDIA & CIA Quarta-feira, 26 de maio de 2004

Por FERNANDA GALVÃO

PALMAS PARA O BRASIL EM CANNES
PÉ NA ESTRADA: O Che
antes de virar mito

O sucesso em Cannes do filme Diários de Motocicleta, de Walter Salles, ajuda a definir um movimento do cinema brasileiro – o primeiro de respeito mundial desde o Cinema Novo. Na órbita de Salles circulam obras que mesclam o lirismo com as técnicas do documentário. Fazem parte deste grupo Central do Brasil, do próprio Salles, e Cidade de Deus, de Fernando Meirelles. Outros movimentos fundamentais do cinema brasileiro:

MUDOS (1923 – 1933)
As fitas tinham ritmo lento, como num balé de imagens. Estavam mais para a poesia do que para a prosa, ao estilo de Einseinstein.
Destaques:
Ganga Bruta (Humberto Mauro) e Limite (Mário Peixoto)
CHANCHADAS (1934/49)
Os personagens de Oscarito e Grande Otelo fazem o País rir de si mesmo. Auge da produtora Atlântida Destaques: Aviso aos Navegantes (Watson Macedo) e O Homem do Sputnik (Carlos Gama)
VERA CRUZ (anos 50)
O estúdio paulistano inaugura uma fase de profissionalismo aos moldes das ricas produções de Hollywood Destaques: O Gangaceiro (Lima Barreto) e Tico-tico no Fubá (Adolfo Celi)
CINEMA NOVO (anos 60)
É a estética da fome. Pagador de Promessas, Palma de Ouro em 1962, embora boicotado pelos amigos de Glauber Rocha, é desse time. Destaque: Deus e o Diabo na Terra do Sol (Glauber Rocha)

 

 

130 é o número de países que assistiram ao jogo Brasil 0 x 0 França na quinta-feira passada, em comemoração aos 100 anos da Fifa. Foi o amistoso internacional mais visto da história da televisão.

DOIS TOQUES

Peter Gottschalk Júnior, diretor da Wheaton Brasil,
fabricante de embalagens de vidro, patrocina a peça
Amor! Coragem! Compaixão! Nela, são abordados a
homossexualidade e a Aids. O investimento: R$ 200 mil.

A empresa não teme uma reação negativa?
Sempre patrocinamos eventos culturais. A peça foi escolhida pela qualidade do texto. Além disso, a temática não é homossexual, mas sobre relacionamento humano. Não acredito em risco para a imagem da empresa, isso é preconceito. Ainda há muita hipocrisia no Brasil.

Qual é o retorno em eventos como esse?
Muito positivo. Aos poucos conseguimos rejuvenescer a marca, mostrar que a empresa é ativa na sociedade. Além disso, queremos ‘contaminar’ outras empresas e incentivá-las a fazer o mesmo pelo bem do País.

O APRENDIZ DE TRUMP NA LABUTA

O jornal americano Chicago Sun-Times vai mudar de endereço. Uma parceria entre a Hollinger, controladora da publicação, e o bilionário Donald Trump acertou a construção de uma torre de 90 andares, que terá hotel, apartamentos e escritórios. Entre os encarregados do projeto está Bill Rancic, que em abril venceu o reality show “O Aprendiz” e ganhou um emprego na empresa de Trump.

E O MUNDO NÃO SE ACABOU

Um documentário exibido na semana passada pela BBC pôs os ingleses em pânico. London Under Attack (Londres sob Ataque) denunciava o despreparo dos serviços de emergência na hipótese de um grande atentado. Dois milhões de londrinos assistiram ao programa. Muitos confundiram a ficção com um documentário real. O telefone da emissora ficou congestionado. Repetia-se, como farsa, a lendária transmissão pelo rádio da Guerra dos Mundos, feita por Orson Welles em 1938. Era uma imaginária invasão marciana que se transformou num susto terráqueo de proporções babilônicas.

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