 |
FINANÇAS |
Quarta-feira, 26 de maio
de 2004 |
 |
 |
| A
SAGA DE SCHWAB |
Corretora
eletrônica de US$ 1 trilhão amplia suas atividades
e vira banco de investimentos em busca de clientela global |
|
|
Leia
também
• A
corretora em números
Paula
Pavon
| |
 |
| |
SEDE
NOS EUA Clientes do mundo
todo podem aplicar, via internet,
na Bolsa de Nova York |
A maior
corretora on-line do mundo resolveu atuar como um banco de investimentos.
Nos últimos anos, a americana Charles Schwab ganhou fama
ao se especializar em oferecer serviços de compra e venda
de ações pela internet. De qualquer país é
possível aplicar nos mercados mais cobiçados pelos
investidores, como a Bolsa de Nova York e a Nasdaq. A partir de
agora, a Charles Schwab vai investir US$ 1 milhão para expandir
suas atividades e atrair a clientela que busca aconselhamento financeiro.
Na prática, isso significa que uma equipe de consultores
vai analisar quanto o cliente tem disponível para investir,
o quanto está disposto a correr de risco e em quais mercados
quer aplicar. Os produtos de investimento vão desde ações
e CDBs a títulos do Tesouro americano, considerados uma das
aplicações mais seguras. A nova estratégia
faz parte de uma campanha para conquistar potenciais investidores
do mundo todo. Hoje, a corretora administra patrimônio de
quase US$ 1 trilhão e tem 7,5 milhões de clientes
no mundo.
“Queremos
oferecer todas as ferramentas de que o cliente necessita para tomar
a melhor decisão”, afirma Luiz Souto-Maior, diretor
internacional para o Brasil. As consultas podem ser feitas por e-mail
ou telefone. No Brasil, a Charles Schwab mantinha uma parceria
com a corretora carioca Ágora, mas a sociedade foi desfeita
em
2002 e não há planos para abertura de um escritório
local. Ao todo, a Charles Schwab tem 400 filiais no mundo. A corretora
quer fornecer aos clientes relatórios diários com
informações detalhadas de empresas. “Da GE à
Coca-Cola, os investidores vão poder acom-
panhar em qualquer lugar do mundo nossa análise”, diz
Souto-
Maior. A prateleira de produtos da instituição não
se resume a
ações de empresas norte-americanas ou européias.
Há papéis privados de empresas (commercial papers)
e fundos de inves-
timento próprios e de bancos dos EUA. Existem até
fundos
de ações com negociação diária
em Bolsa.
Os
especialistas de mercado aconselham a diversificação
de investimentos. “É importante aplicar em outros mercados
para não correr o risco de um só país”,
diz Rogério Sobreira, professor de economia e finanças
da Ebape/FGV. No ano passado, a Bolsa de Nova York subiu 48,5%.
Apesar do bom rendimento, não é todo investidor que
consegue manter uma aplicação no exterior. Para começar
a investir, a Charles Schwab exige do estrangeiro um valor mínimo
de US$ 25 mil. Além disso, é preciso ter um dinheiro
a mais na conta para pagamento de taxa de corretagem. O custo da
transação chega a US$ 29,95 para comprar ou vender
até mil ações. O valor tende a cair à
medida que aumenta o número de transações.
No caso de um fundo, a taxa de administração varia
entre 1% e 2%. A Charles Schwab cobra ainda uma taxa anual de manutenção
da conta. Para contas com movimentação de até
US$ 50 mil, o investidor paga US$ 180 por ano. Já os investidores
com transações acima desse valor estão isentos
de tarifa.
Para
a elite. O custo em dólar não tem sido empecilho
para alguns brasileiros. No ano passado, foram enviados R$ 1,9 bilhão
de investimentos ao exterior, de acordo com dados do Banco Central.
“Uma média de dez brasileiros por mês procuram
a corretora”, diz Souto-Maior. O público alvo da Charles
Schwab no Brasil é o mesmo disputado pelos family offices,
empresas especializadas em administrar fortunas. São investidores
com patrimônio acima de R$ 500 mil e que têm interesse
em aplicar em outros mercados. Nos Estados Unidos, a mira da corretora
está direcionada para clientes com potencial de investimento
entre US$ 100 mil e US$ 1 milhão.
Para investir lá fora, é necessário cópia
do passaporte, carta de referência de um banco brasileiro
e preenchimento de um formulário de declaração
de não-residente. A transferência do dinheiro é
feita eletronicamente pelos principais bancos no Brasil. Alguns
deles,
no entanto, exigem que o cliente tenha conta há pelo menos
três meses. Em um ou dois dias úteis o dinheiro chega
ao destino. Basta escolher o investimento. 
| A
CORRETORA EM NÚMEROS |
 |
SOUTO-MAIOR,
DIRETOR
“Uma média de dez brasileiros
nos procura todo mês” |
|
•
São 400 escritórios
no mundo
•
16 mil é o total de funcionários
•
US$ 973,7 bilhões foi o volume
financeiro administrado até o ano passado
•Em
relação a abril de 2003, o patrimônio
cresceu 22%
•
Há 7,5 milhões de clientes
que
fazem aplicações regularmente
•
236,5 mil é a média de operações
diárias
|
|