 |
FINANÇAS |
Quarta-feira, 26 de maio
de 2004 |
 |
 |
| UM
NOVO SAFRA NO MUNDO DOS BANCOS |
Alberto
Safra, filho de Joseph, estréia no mercado
à frente de mais um empreendimento da família |
|
|
Leia
também
• Quem
foi recrutado por Joseph Safra
Geraldo
Magella
| |
 |
| |
ALBERTO
SAFRA: Experiência em todas as áreas
do Grupo antes de comandar o próprio banco |
A família
Safra é uma lenda no mundo das finan-
ças. No Brasil e além. Existe uma mística em
torno
do clã que remonta aos tempos em que Jacob, o patriarca,
iniciou seu primeiro banco em Alepo, atual Síria, no início
do século passado. Os filhos segui-
ram o caminho e também se transformaram em banqueiros de
sucesso. Edmond, que morreu num incêndio criminoso em seu
apartamento em Mônaco, em 1999, fez do seu Republic National
Bank of New York uma referência mundial no comércio
de ouro –
ou “safra”, como o metal é chamado em árabe.
No Brasil, os irmãos Joseph e Moise viraram sinônimo
de gestão de grandes fortunas com o banco Safra. Os irmãos
estão no topo da lista dos brasileiros mais ricos, com uma
fortuna estimada em US$ 4,7 bilhões. Agora, entra em cena
o mais novo membro da dinastia Safra. Alberto Joseph Safra, o filho
mais
novo de Joseph, está entrando no ramo bancário
e vai comandar o banco J. Safra, que está sendo
estruturado na cidade de São Paulo.
Criado
em 1998 por Joseph para administrar seus investimentos pessoais,
o J. Safra está tomando outros caminhos. A nova estratégia
deverá centrar o foco no segmento de alta renda, tanto administrando
fortunas quanto formatando operações para grandes
empresas. Procurada por DINHEIRO, a família Safra –
que prima pela discrição – preferiu não
comentar os rumos do novo negócio. O mercado, porém,
já sofre abalos provocados pelos movimentos dos Safra. Desde
o início do ano, o J. Safra vem fazendo incursões
nos principais bancos do País para recrutar um time de profissionais
de primeira. Do BankBoston veio o executivo Ricardo Gallo, com a
missão de administrar a carteira do próprio Joseph.
Da Merryll Lynch desembarcou o ex-presidente Bernardo Parnes, tido
como um dos mais experientes banqueiros de investimento do País.
Caberá a ele cuidar das participações não
financeiras do Grupo (como na Aracruz Celulose) e da área
de atacado do banco. Outros bancos como American Express, Itaú
e Santander Banespa também não escaparam do assédio.
Na semana passada, o mercado tomou conhecimento que o J. Safra havia
contratado, de uma só vez, quatro executivos do grupo espanhol,
entre eles Marcelo de Sampaio Dória, que respondia pela diretoria
de grandes corporações do Santander Banespa. “O
J. Safra teve uma atuação muito agressiva para montar
toda a diretoria, que já está completa”, diz
Renata Dolabella Fabrini, sócia da Fesa, uma empresa de busca
e seleção de executivos. “Muitos desses profissionais
foram levados a peso de ouro”, revela.
| |
 |
| |
ONTEM
E HOJE
Alberto (à esq.) com o pai, Joseph, e o prédio
onde funciona provisoriamente a sede do J. Safra |
Os
novos contratados se juntaram a uma equipe de cerca de 200 funcionários
do J. Safra. O banco ocupa, no momento, um prédio alugado
no bairro da Consolação, região central de
São Paulo. Não há nenhuma placa com o nome
J. Safra e quem visitou o edifício diz que a decoração
também é modesta, bem diferente da exuberância
vista na sede do Safra na avenida Paulista. A escolha do endereço
– provisório, já que o banco busca uma sede
melhor localizada – foi aprovada pelo próprio Joseph.
A intenção inicial era que o novo banco ocupasse um
prédio na rua Augusta, em frente à sede atual do Safra.
Mas, durante a reforma, um operário morreu num acidente.
Supersticioso, Joseph mandou que seus executivos encontrassem um
outro lugar. O atual endereço segue uma outra exigência
especial de Joseph: a presença do número cinco. Considerado
seu número de sorte, o cinco está presente no endereço,
no telefone e até mesmo no andar ocupado pela diretoria do
J. Safra.
Os
holofotes do mundo financeiro estão apontados, agora, para
Alberto. Há tempos que Joseph preparava o filho para a missão.
A seu irmão mais velho, Jacob, que vive em Nova York, foi
dado o comando da área internacional do J. Safra. “Alberto
fez de tudo no banco, passou por todos os departamentos e foi até
office-boy”, conta um funcionário do Safra. “Além
disso, ele teve o melhor professor possível, que é
o pai.” Antes de assumir o J. Safra, o jovem banqueiro, tido
como uma pessoa séria e introvertida, participava de reuniões
e acompanhava o pai em suas raras aparições públicas.
Agora, Alberto tem a oportunidade de mostrar ao mercado que aprendeu
a lição. “Os Safra não entram em negócio
para perder dinheiro”, afirma Antonio Bento Furtado de Mendonça
Neto, vice-presidente da consultoria francesa Solving International.
“Enquanto poucos se tornam banqueiros, eles já nascem
banqueiros.” 
Colaborou
Alexandre Teixeira
| Quem
veio |
 |
Bernardo
Parnes
• Ex-presidente da Merryll Lynch (à esq.)
cuidará de participações não financeiras
|
ASSÉDIO:
J. Safra recrutou executivos
nos principais
bancos do País |
Marcelo
Dória
• Diretor do Santander foi para o novo banco
junto com três outros colegas |
 |
Ricardo
Gallo
• Ex-BankBoston (à esq.) cuidará
da
fortuna pessoal de Joseph Safra |
|