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ENTREVISTA |
Quarta-feira, 26 de maio
de 2004 |
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HERMANN
WEVER
"O
QUE VALE AINDA É A VONTADE
DOS BANQUEIROS" |
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Para
o ex-presidente da alemã Siemens, o governo Lula é,
sim, diferente da era FHC. Mas, segundo Wever, há preocupação
excessiva com o sistema financeiro em detrimento do setor
produtivo
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Ivan Martins
Nos
22 anos em que presidiu a subsidiária da gigante alemã
Siemens, Hermann Wever, notabilizou-se por ser um crítico
feroz do descaso do governo em relação ao setor produtivo.
Afastado da companhia desde outubro de 2001, quando se aposentou,
aos 65 anos, Wever embarcou na carreira de consultor de empresas.
Engenheiro por formação, esse paulistano nascido na
Avenida Paulista e filho de pai alemão e mãe baiana
acaba de se incorporar ao time da Aggrego Consultores, comandada
por Alcides Tápias, ex-ministro do Desenvolvimento. Nessa
entrevista à DINHEIRO, Wever elogia a postura aguerrida do
Itamaraty na condução das negociações
envolvendo a Área de Livre Comércio das Américas
(Alca) e fala de sua crença na retomada da economia. Eleitor
do tucano José Serra, Wever está satisfeito com o
desempenho do governo Luiz Inácio da Silva. Mas alerta: Chegou
a hora de retomar o crescimento e o desenvolvimento econômico.
DINHEIRO
O que o sr. acha das diretrizes do governo Lula para o setor
produtivo?
HERMANN WEVER A política industrial lançada
recentemente, por exemplo, é louvável. Contudo, é
preciso ter em mente que não é fácil fazer
política industrial. É necessário conhecer
em profundidade a cadeia produtiva dos setores que se pretende incentivar.
A coordenação é fundamental. O Executivo fala
em criar um conselho e um grupo de acompanhamento. O que precisamos,
na verdade, é de um órgão com funções
executivas. No entanto, acho que eles estão na direção
correta. Além disso, esse projeto começa a mostrar
o descolamento do governo Luiz Inácio Lula da Silva em relação
ao período Fernando Henrique Cardoso.
DINHEIRO Mas a política macroeconômica continua
idêntica...
WEVER Não havia como fazer diferente. O governo
FHC deixou uma herança pesada. Há uma diferença
sensível de um governo para outro. As políticas macroeconômicas
estão sendo bem administradas pela dupla Palocci-Meirelles.
DINHEIRO
Mas o PT foi eleito exatamente porque se propunha a fazer
o contrário disso.
WEVER Apesar dos problemas, já estamos vendo os
primeiros frutos da política econômica adotada no governo
Lula. Se o governo tivesse sido frouxo na questão monetária,
por exemplo, certamente a inflação já teria
saltado para o patamar de dois dígitos.
DINHEIRO
Ironicamente, os problemas macroeconômicos foram gerados
por um grupo de técnicos que se dizia preparado para governar...
WEVER O principal pecado do governo FHC foi manter o
real sobrevalorizado por um tempo muito grande. Isso desestimulou
a produção. Foi um erro muito grande pelo qual estamos
pagando até hoje.
DINHEIRO
É a tal da herança maldita?
WEVER Não sei se maldita é a palavra certa.
Mas a herança existe.
DINHEIRO
O sr. está dizendo, então, que a oposição
não tem motivos para criticar a atual administração?
WEVER Eu acho que quem critica não está
olhando para os seus próprios erros. Fazendo as contas na
ponta do lápis, dá para dizer que o governo FHC foi
um período muito difícil para o setor privado. Sempre
houve uma certa conotação de menosprezo e um sentimento
de que os industriais eram ineficientes.
DINHEIRO
Faltava humildade para entender como o Brasil real funciona?
WEVER Acho que não era soberba. Porém,
havia, de fato, um viés muito teórico.
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