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ENTREVISTA |
Quarta-feira, 26 de maio
de 2004 |
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DINHEIRO
O sr. acha que a saída para o Brasil é copiar
cada vez mais a China, onde a vantagem é a mão-de-obra
barata, ou usar a França e o Canadá como modelos?
WEVER A China evoluiu bastante nos últimos 15
anos. Quem fala mal da globalização se esquece que
inúmeros países do Sudeste Asiático saíram
do estado de pobreza absoluta para se transformarem em mercados
significativos. Falar que a globalização não
funciona é o mesmo que dizer que os chineses não contam.
A prova de que esse processo é positivo é que o comércio
chinês vem avançando a taxas superiores ao crescimento
da economia mundial.
DINHEIRO
E por que o mesmo não aconteceu por aqui?
WEVER A América Latina ficou um pouco à
margem desse processo. Isso deve-se ao falso neoliberalismo adotado
na região. Pensava-se que a abertura açodada ao capital
externo, como aconteceu no Brasil, fosse a solução
de todos os males. Hoje vemos que o tal Consenso de Washington é
a origem de nossos problemas. O próprio Banco Mundial diz
que o desempenho da América Latina está comprometido.
Somos meros caudatários do crescimento acentuado dos países
do Sudeste Asiático.
DINHEIRO
O sr. acha que a política externa está sendo
bem conduzida?
WEVER Os homens que comandam o Itamaraty, os chamados
barbudinhos, têm uma visão muito clara
do nosso País. São profissionais muito bem preparados.
DINHEIRO
Mesmo no setor produtivo não faltam queixas dos rumos
das negociações envolvendo a Alca. O sr. concorda
com os que dizem que vamos perder esse trem?
WEVER Temos pessoas bem preparadas para administrar um
período de negociações complexas e simultâneas
como o que estamos vivendo. A novidade na diplomacia é que,
hoje, os diplomatas têm uma visão mais cética
sobre promessas de abertura comercial que acabam não se concretizando.
Foi assim na Rodada do Uruguai e em várias outras ocasiões.
Eles já sabem que não podemos ceder incondicionalmente
esperando resolver contenciosos, como a questão agrícola,
no âmbito da Organização Mundial do Comércio.
A experiência mostra que no final sempre ficamos na mão.
DINHEIRO
E como reduzir a concentração de renda em um
País onde cinco mil famílias detêm 40% do PIB?
WEVER Esse é um problema histórico que
só pode ser resolvido com mudanças estruturais. Sei
que não é fácil. As desigualdades de renda
no Brasil são acintosas, mas precisam ser atacadas dentro
de um ambiente democrático...
DINHEIRO
O sr. é a favor ao imposto sobre grandes fortunas?
WEVER Tudo que for feito nessa direção
será bem-vindo. Sou a favor de um Imposto de Renda altamente
progressivo, com maior número possível de alíquotas.
Para que isso dê certo, porém, é preciso uma
fiscalização eficiente, evitando que apenas uns poucos
paguem os tributos. Agora, de nada adianta cobrar mais impostos
se o dinheiro não é usado de forma inteligente. O
governo tem de melhorar a eficiência de seus gastos, aplicando
mais em investimentos que no custeio da máquina pública.

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