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ECONOMIA Quarta-feira, 26 de maio de 2004
O PRATO NOSSO DE CADA DIA
Pesquisa do IBGE revela um Brasil desigual, em que
quase a metade da população diz faltar comida à mesa

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menos que os ricos
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Fernanda Galvão e Fábio Altman

 

A Belíndia, aquele país de ficção criado pelo economista Edmar Bacha, misto de Bélgica e Índia, da pujança de um com as carências de outro, chegou definitivamente ao prato de comida dos brasileiros. As estatísticas assustam: para 32,8% das famílias, às vezes falta comida. Para 13,83% delas, o alimento é normalmente insuficiente. Somando as duas parcelas, concluiu-se que 46,63% sofrem com algum tipo de restrição alimentar – quase a metade da população. Os números fazem parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2002-2003, realizada pela Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, e divulgada na semana passada. O estudo ouviu 48,5 milhões de famílias com 3,6 inte-
grantes cada. É a maior pesquisa deste gênero feita em nível
nacional desde o biênio 1974-1975.

Há outras notícias ruins: hoje, a renda da maior parte das famílias no País (85%) não é suficiente para cobrir suas despesas. Os gastos fixos – que incluem alimentação, habitação, saúde, impostos e obrigações trabalhistas – consomem mais de 90% do orçamento familiar. Ou seja: a maioria das pessoas não consegue chegar ao final do mês com a renda que recebe. A primeira grande conseqüência desse quadro é a redução do nível de poupança e dos recursos destinados a investimentos. Houve uma diversificação dos gastos da população, resultado, principalmente, do aumento da urbanização e da entrada da mulher no mercado de trabalho.

A habitação responde hoje pelo maior gasto com consumo do brasileiro: 35,5% do total de despesas. “Ficou mais caro manter uma casa”, diz Cornélia Nogueira Porto, responsável pelo Índice de Custo de Vida (ICV) do Dieese. “As tarifas dos serviços públicos aumentaram muito, assim como outros itens indispensáveis. O preço do botijão de gás aumentou 500% nos últimos sete anos”, compara. Ela explica que o fenômeno da urbanização exige também mais gastos com transporte e alimentação, já que o trabalhador se vê obrigado a fazer as refeições fora de casa. As despesas com transporte consomem hoje 18,44% da renda total do brasileiro e a alimentação, 20,75%.

Há, no entanto, algumas notícias razoáveis, que podem ser comemoradas. Houve um aumento da renda das famílias, o que permitiu uma espécie de “sofisticação” do padrão de consumo, com itens como telefone fixo e celular. Há ainda uma outra constatação positiva: o caráter solidário da população. Roupas, eletrodomésticos
e móveis são freqüentemente doados ou trocados sem envolvimento de dinheiro. Registra-se também uma redução do nível de endivida-
mento. Há 30 anos, 3,64% do orçamento familiar era dedicado ao pagamento de dívidas. Hoje, o índice caiu para 1,98%. “É preciso entender, no entanto, que a diminuição do endividamento reflete o baixo nível de atividade econômica no País”, pondera Cornélia. “As pessoas têm mais medo de contrair um empréstimo ou financia-
mento diante da ameaça do desemprego.”

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Pesquisa do IBGE revela que quase metade dos brasileiros não
come o suficiente. Enquanto isso, a
PF prendeu vários funcionários do Ministério da Saúde, acusados de desviar R$ 2 bilhões de reais desde 1990. Que tal?

 

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