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ECONOMIA Quarta-feira, 26 de maio de 2004
O INSTITUTO FHC
Ex-presidente inaugura centro de estudos diante
de estrelas da economia global como Bill Clinton

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Galeria de fotos
Um lugar para receber e refletir

Marco Damiani

  Fotos: Biô Barreira
  NAS NUVENS “Aqui, tenho
mais sonhos que planos”,
diz Fernando Henrique

O ex-presidente Fernando Henrique não perde o hábito pelos salões – e neste sábado 21, em meio a uma atmosfera intelectual temperada pelo brilho de uma constelação de convidados internacionais, ele mesmo inaugura o seu próprio ambiente para pensar, produzir e, à perfeição, receber. A preparação da festa consumiu os últimos meses de uma equipe de oito pessoas, desdobradas em finalizar as obras da sede de 1,1 mil metros quadrados do instituto FHC, no centro de São Paulo, e montar dois seminários com temas fiéis ao gosto globalizado do ex-presidente. Ele está pisando em nuvens. “Tenho mais sonhos do que planos”, disse ele à DINHEIRO, mãos postas sobre sua novíssima mesa, olhos voltados à restaurada Praça Ramos de Azevedo. “Aqui quero ajudar a pensar o papel do Brasil no mundo, incentivar a inserção. Não quero ser partidário”.

Para mostrar a que veio, o Instituto abriu suas portas voando alto. Os socialistas Lionel Jospin e Antonio Gutérres, ex-primeiros-ministros da França e de Portugal, a diretora da London School of Economics Mary Kaldor e o representante da ONU John Clark tomaram parte nos dois primeiros seminários, sobre ordem cosmopolita e sociedade civil global. Um auditório com 75 cadeiras vermelhas, equipamento de projeção e sala anexa para tradutores foi construído dentro do instituto para abrigar esse tipo de discussões. O ponto alto da inauguração foi cuidadosamente planejado. Abrindo mão do cachê que chega a US$ 100 mil, em nome da velha amizade, o ex-presidente Bill Clinton assumiu a missão de fazer a saudação inaugural no salão de convenções de um hotel cinco estrelas. FHC pretendia reunir 300 convidados diante de Clinton. A palestra, transmitida ao vivo pela internet, forma os primeiros registros do Instituto. A vinda de Clinton mostra que o ex-presidente brasileiro é mesmo um homem de sorte. Ele marcou a abertura do iFHC – assim mesmo, com a primeira letra minúscula – a partir de uma abertura na agenda do ex-presidente americano, atualmente alvo de atenções do mundo todo em razão do lançamento de seu livro de 900 páginas sobre os oito anos passados na Casa Branca. A obra já tem mais de um milhão de encomendas.

O programa inaugural incluiu um coquetel nos salões do novíssimo instituto, que ocupam todo o sexto andar do Edifício Esplanada. O imóvel foi comprado por R$ 1 milhão, em dez prestações já pagas. As obras da reforma, orçadas em R$ 1,5 milhão, se estenderam por dez meses. O Instituto nasce com R$ 10 milhões em caixa, amealhados entre contribuições de amigos e sob administração do ex-presidente do BC, Armínio Fraga. O imóvel mantém a aura aristocrática da antiga instalação com altas doses de modernidade. Os corredores tiveram seu madeiramento extraído para descupinização e polimento. Peças como cabides de estilo, relógios antigos e até uma prosaica cadeira para engraxar sapatos foram repostas e agora convivem com um sistema de ar-condicionado central e móveis elegantes. Na biblioteca já há livros que Fernando Henrique costuma classificar como sendo de referência – uns mil. Salas para estudos, o auditório e o amplo gabinete pessoal do ex-presidente, com cerca de 80 metros quadrados, completam a estrutura. Nos dois subsolos repousam milhares de documentos, fotografias, fitas de vídeo e presentes dos tempos da Presidência. No próximo ano, poderão ser consultados. Fernando Henrique não quer fazer de seu instituto um museu. Antes, um local para estudos a serem feitos por grupos restritos. A produção intelctual terá, como convém, a chancela iFHC.

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