| O
INSTITUTO FHC |
Ex-presidente
inaugura centro de estudos diante
de estrelas da economia global como Bill Clinton |
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Galeria
de fotos
• Um
lugar para receber e refletir
Marco
Damiani
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NAS
NUVENS “Aqui, tenho
mais sonhos que planos”,
diz Fernando Henrique |
O ex-presidente
Fernando Henrique não perde o hábito pelos salões
– e neste sábado 21, em meio a uma atmosfera intelectual
temperada pelo brilho de uma constelação de convidados
internacionais, ele mesmo inaugura o seu próprio ambiente
para pensar, produzir e, à perfeição, receber.
A preparação da festa consumiu os últimos meses
de uma equipe de oito pessoas, desdobradas em finalizar as obras
da sede de 1,1 mil metros quadrados do instituto FHC, no centro
de São Paulo, e montar dois seminários com temas fiéis
ao gosto globalizado do ex-presidente. Ele está pisando em
nuvens. “Tenho mais sonhos do que planos”, disse ele
à DINHEIRO, mãos postas sobre sua novíssima
mesa, olhos voltados à restaurada Praça Ramos de Azevedo.
“Aqui quero ajudar a pensar o papel do Brasil no mundo, incentivar
a inserção. Não quero ser partidário”.
Para
mostrar a que veio, o Instituto abriu suas portas voando alto. Os
socialistas Lionel Jospin e Antonio Gutérres, ex-primeiros-ministros
da França e de Portugal, a diretora da London School of Economics
Mary Kaldor e o representante da ONU John Clark tomaram parte nos
dois primeiros seminários, sobre ordem cosmopolita e sociedade
civil global. Um auditório com 75 cadeiras vermelhas, equipamento
de projeção e sala anexa para tradutores foi construído
dentro do instituto para abrigar esse tipo de discussões.
O ponto alto da inauguração foi cuidadosamente planejado.
Abrindo mão do cachê que chega a US$ 100 mil, em nome
da velha amizade, o ex-presidente Bill Clinton assumiu a missão
de fazer a saudação inaugural no salão de convenções
de um hotel cinco estrelas. FHC pretendia reunir 300 convidados
diante de Clinton. A palestra, transmitida ao vivo pela internet,
forma os primeiros registros do Instituto. A vinda de Clinton mostra
que o ex-presidente brasileiro é mesmo um homem de sorte.
Ele marcou a abertura do iFHC – assim mesmo, com a primeira
letra minúscula – a partir de uma abertura na agenda
do ex-presidente americano, atualmente alvo de atenções
do mundo todo em razão do lançamento de seu livro
de 900 páginas sobre os oito anos passados na Casa Branca.
A obra já tem mais de um milhão de encomendas.
O
programa inaugural incluiu um coquetel nos salões do novíssimo
instituto, que ocupam todo o sexto andar do Edifício Esplanada.
O imóvel foi comprado por R$ 1 milhão, em dez prestações
já pagas. As obras da reforma, orçadas em R$ 1,5 milhão,
se estenderam por dez meses. O Instituto nasce com R$ 10 milhões
em caixa, amealhados entre contribuições de amigos
e sob administração do ex-presidente do BC, Armínio
Fraga. O imóvel mantém a aura aristocrática
da antiga instalação com altas doses de modernidade.
Os corredores tiveram seu madeiramento extraído para descupinização
e polimento. Peças como cabides de estilo, relógios
antigos e até uma prosaica cadeira para engraxar sapatos
foram repostas e agora convivem com um sistema de ar-condicionado
central e móveis elegantes. Na biblioteca já há
livros que Fernando Henrique costuma classificar como sendo de referência
– uns mil. Salas para estudos, o auditório e o amplo
gabinete pessoal do ex-presidente, com cerca de 80 metros quadrados,
completam a estrutura. Nos dois subsolos repousam milhares de documentos,
fotografias, fitas de vídeo e presentes dos tempos da Presidência.
No próximo ano, poderão ser consultados. Fernando
Henrique não quer fazer de seu instituto um museu. Antes,
um local para estudos a serem feitos por grupos restritos. A produção
intelctual terá, como convém, a chancela iFHC. 
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