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DINHEIRO
DA REDAÇÃO |
Quarta-feira, 19 de maio
de 2004 |
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NO
LIMITE DA IRRESPONSABILIDADE
Alguém
lembrou que o presidente Lula poderia ter aproveitado a oportunidade
para divulgar a cachaça brasileira, o genuíno blend
nacional, brindando num convescote com o jornalista que o difamou.
Mas não. Nem esse senso de marketing foi aguçado.
O presidente, como em todas as ocasiões em que foi premido
a tomar decisões rápidas, extrapolou. Fez de uma bobagem
insinuosa um incidente diplomático que se propagou em ondas
de má publicidade do Brasil mundo afora. O antimarketing,
que reforçou a lamentável pecha de republiqueta das
bananas. Como pôde este emergente Brasil, agora sob um governo
dito de esquerda, expor tamanho autoritarismo que só encontra
paralelo nos porões de sua ditadura de farda? Como pôde
o defensor histórico do trabalhador cercear de tal maneira
um trabalho por pior que esse trabalho possa ter sido feito?
Como pôde o presidente do povo ofender a própria democracia
que comanda, com gestos não menores que os daqueles que no
seu tempo de líder sindical o prenderam? Lula e seus asses-
sores, no deplorável episódio, agiram como personagens
de governos passados, no limite da irresponsabilidade. A revista
inglesa The Economist registrou o que muitos por aqui já
perceberam: A expulsão levanta mais dúvidas
sobre a capacidade de julgamento de Lula do que qualquer coisa,
diz o semanário. O governo que não sabe decidir, não
sabe resolver, não deve saber administrar e, por tabela,
não sabe governar. O governo de Lula parece querer governar
só para amigos, para o público que nos seus tempos
de fábrica aplaudia suas palavras de ordem. Não é
mais assim e alguém precisa avisá-lo. O provincianis-
mo do lema aos amigos tudo e aos opositores o rigor extremo
é o caminho mais curto rumo ao isolamento de Lula
e do País, algo perigoso no ambiente globalizado. Depois
do desastre de comuni-
cação, seria interessante saber se o presidente vai
evoluir daí para a expulsão de parlamentares opositores
de seu regime, juízes e advo-
gados adversários ou de qualquer um que lhe provoque irritação
e mereça o banimento, o exílio. Esse filme o País
já viu e não gostou. 
Carlos
José Marques
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