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DINHEIRO DA REDAÇÃO Quarta-feira, 30 de Outubro de 2002
O PRESIDENTE LULA continua...
A ESCOLHA DO BRASIL
Lula torna-se o trigésimo presidente do País, eleito com o maior número de votos da história republicana brasileira

Carlos José Marques

Edu Lopes

Na noite estrelada do último domingo, Luiz Inácio Lula da Silva, o operário, o sindicalista, o líder partidário, tornou-se o 30o presidente da República do Brasil, o 17o por eleição direta. Emergiu das urnas com cerca de 53 milhões de votos, com a promessa de 10 milhões de empregos, compromissos formais de mais de
R$ 670 bilhões em dívida pública, um largo sorriso e uma grande esperança. O ex-torneiro mecânico, o ex-engraxate, o ex-vendedor ambulante de amendoim e tapioca, que saiu de Garanhuns, nos grotões de Pernambuco, chegou lá. Entrou na década de 80 sob a permanente ameaça de ir para a cadeia, por movimentos grevistas, atravessou os anos 90 em campanhas eleitorais – quatro tentativas até a vitória – e ingressa no novo milênio como o primeiro mandatário do País egresso do chão de fábrica. A condição de operário que – nos ombros de um movimento iniciado nas linhas de montagem do ABC paulista, nos anos 70 – fundou um partido, conquistou o País e subiu ao poder não tem paralelo no mundo. E, ao longo dessa trajetória, em um par de décadas, Lula mudou.

O ativista carbonário cedeu lugar ao líder moderado. O presidente que deve subir a rampa do Planalto está comprometido com a estabilização. Carrega como esteio de seu programa bandeiras de mudança e desenvolvimento, dentro das regras democráticas e do jogo econômico do mundo globalizado. Para administrar o País, Lula reviu a cartilha do PT. Vai cumprir acordos com organismos multilaterais como o FMI, manter as privatizações, negociar a Alca, praticar superávits fiscais e incentivar o mercado de capitais. Em tempos remotos, já definiu bolsa de valores como um grande cassino de especuladores. Isso ficou para trás. Ainda acredita que, no mundo, há nações exploradas e exploradoras, mas está disposto a olhar com outros olhos, mais sutis, mais requintados, as complexidades dessa situação. Lula aprendeu. A rigor, a sua vida é um longo aprendizado, na repetição espinhosa do trajeto percorrido por hordas de nordestinos, expulsos do lar pela seca, abrigados precariamente na periferia das metrópoles, desamparados pelo poder e instituições. Lula quer mudar isso tudo, diminuir a concentração de renda, aproximar ricos e pobres no Brasil de distâncias continentais e desigualdades abissais e, assim, retomar a rota do crescimento sustentável – na casa dos 4% ao ano. Quer a transformação, fruto de um grande pacto, com representantes de várias vertentes, interlocutores internacionais, trabalhadores, investidores, empresários. E embora entenda o desgaste da palavra pacto, acredita na força de sua experiência como negociador, curtida em anos de exercício sindical.

1 | 2
FÓRUM 1
Em poucas palavras,
qual seu primeiro
pedido ao
presidente Lula?
FÓRUM 2
As eleições brasileiras foram um exemplo de democracia, organização e ordenamento jurídico, só os analistas do mercado não perceberam isso. O que o novo governo deve dizer para estes senhores agora?
ENQUETE

Qual o maior desafio que o presidente Lula terá de enfrentar em seu primeiro ano de mandato?

• Bush e a Alca
• O FMI
• Oposição no Congresso
• Oposição dos governadores
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