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| A
ESCOLHA DO BRASIL |
| Lula
torna-se o trigésimo presidente do País, eleito
com o maior número de votos da história republicana
brasileira |
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Carlos
José Marques
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Na
noite estrelada do último domingo, Luiz Inácio Lula
da Silva, o operário, o sindicalista, o líder partidário,
tornou-se o 30o presidente da República do Brasil, o 17o
por eleição direta. Emergiu das urnas com cerca de
53 milhões de votos, com a promessa de 10 milhões
de empregos, compromissos formais de mais de
R$ 670 bilhões em dívida pública, um largo
sorriso e uma grande esperança. O ex-torneiro mecânico,
o ex-engraxate, o ex-vendedor ambulante de amendoim e tapioca, que
saiu de Garanhuns, nos grotões de Pernambuco, chegou lá.
Entrou na década de 80 sob a permanente ameaça de
ir para a cadeia, por movimentos grevistas, atravessou os anos 90
em campanhas eleitorais – quatro tentativas até a vitória
– e ingressa no novo milênio como o primeiro mandatário
do País egresso do chão de fábrica. A condição
de operário que – nos ombros de um movimento iniciado
nas linhas de montagem do ABC paulista, nos anos 70 – fundou
um partido, conquistou o País e subiu ao poder não
tem paralelo no mundo. E, ao longo dessa trajetória, em um
par de décadas, Lula mudou.
O ativista
carbonário cedeu lugar ao líder moderado. O presidente
que deve subir a rampa do Planalto está comprometido com
a estabilização. Carrega como esteio de seu programa
bandeiras de mudança e desenvolvimento, dentro das regras
democráticas e do jogo econômico do mundo globalizado.
Para administrar o País, Lula reviu a cartilha do PT. Vai
cumprir acordos com organismos multilaterais como o FMI, manter
as privatizações, negociar a Alca, praticar superávits
fiscais e incentivar o mercado de capitais. Em tempos remotos, já
definiu bolsa de valores como um grande cassino de especuladores.
Isso ficou para trás. Ainda acredita que, no mundo, há
nações exploradas e exploradoras, mas está
disposto a olhar com outros olhos, mais sutis, mais requintados,
as complexidades dessa situação. Lula aprendeu. A
rigor, a sua vida é um longo aprendizado, na repetição
espinhosa do trajeto percorrido por hordas de nordestinos, expulsos
do lar pela seca, abrigados precariamente na periferia das metrópoles,
desamparados pelo poder e instituições. Lula quer
mudar isso tudo, diminuir a concentração de renda,
aproximar ricos e pobres no Brasil de distâncias continentais
e desigualdades abissais e, assim, retomar a rota do crescimento
sustentável – na casa dos 4% ao ano. Quer a transformação,
fruto de um grande pacto, com representantes de várias vertentes,
interlocutores internacionais, trabalhadores, investidores, empresários.
E embora entenda o desgaste da palavra pacto, acredita na força
de sua experiência como negociador, curtida em anos de exercício
sindical.
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